A tradução do dicionário Michaelis é romântica para a palavra inglesa drift: ''coisa flutuante ou que é levada ao sabor dos mares, ventos ou correntes''. Já na pista, a tradução para drift não é tão romântica assim, está muito mais para ''pauleira'', ao som de pneus ''cantando'' e fumaça subindo, com carros de até 600 cavalos de potência ''flutuando'' em curvas fechadas.
Drift é o nome de uma modalidade automobilística que nasceu no Japão, na década de 1970, e só agora, já no século 21, chega, de mansinho, ao Brasil. O sentido da modalidade é entrar nas curvas ''flutuando'', ou seja, controlando a aceleração e a direção para que o carro - ao contrário das outras categorias automobilísticas - perca aderência e deslize lateralmente. É febre no Japão.
''A nossa intenção é controlar o carro 'desgrudando' da pista. O segredo é a potência do motor e a habilidade do piloto para colocar o carro no ângulo certo. O problema é que essa habilidade só se adquire depois de uns 10 carros batidos'', comenta o piloto e um dos organizadores do evento, Gerson Mekaru.
Carros vistosos, com volante no lado direito, importados da terra do sol nascente estão desembarcando no Brasil. A pretensão dos organizadores da modalidade é começar um campeonato nacional em 2009, com 30 carros. A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) já está providenciando a homologação da categoria. Por enquanto, as corridas são apenas de demonstração e reúnem nove carros, sete deles japoneses.
São esses carros que correm hoje no Autódromo de Londrina. A promessa é de adrenalina para quem resolver conferir. De acordo com Mekaru, a expectativa é que os carros, de até 600 cavalos de potência, cheguem perto dos 300 km/h. As curvas fechadas do autódromo londrinense prometem um show à parte.
Mekaru já está no Drift há 10 anos. Apaixonou-se pela modalidade no Japão, onde trabalhou por 14 anos em oficina de funilaria. ''Por lá, não se anda 10 minutos pela rua sem encontrar um carro de Drift'', garante.
Os números da modalidade são interessantes. A taxa de importação dos carros japoneses que estão andando por aqui é de R$ 40 mil. Como são veículos usados, não podem ser emplacados e nem permanecer por mais de um ano no país. ''Mandamos eles para outras países, como Argentina, quando vence o prazo e depois trazemos de volta'', explica Mekaru. O consumo de combustível, gasolina, é de 1 litro para cada 2 km. Um par de pneus dura de 15 a 20 minutos, no entanto, os pilotos garantem que a emoção compensa os gastos.
Serviço - A apresentação de Drift começa às 13h no autódromo de Londrina. Ingressos no local a R$ 10. Haverá sorteio de pessoas do público para andar nos carros.

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