Os 8.509 habitantes de Santa Isabel do Ivaí vivem praticamente da agropecuária e da prestação de serviços. ''Quando assumi, o município estava um caos. Havia uma dívida equivalente ao orçamento de um ano'', conta o prefeito Clemente de Souza.
Segundo o diretor do Saae, Antônio Moreno, ''não havia cloro para tratar a água e a autarquia devia energia''. Diversos setores da Prefeitura também estavam com os salários em atraso.
''Santa Isabel estava sucateada, sem credibilidade. Tivemos que enxugar a máquina e diminuir os cargos comissionados. Hoje a prefeitura funciona com apenas três secretários, que acumulam funções'', diz o prefeito. Para ele, no entanto, acabou o desespero. ''O surto aconteceu num momento em que o município vivia uma conjuntura negativa. Hoje estamos em paz.''
Mesmo com todas as mudanças que aparentemente recuperaram a credibilidade do poder executivo junto à população, muitos moradores que vivenciaram a toxoplasmose ainda estão desconfiados. ''Não tenho condições de me manter com água mineral, senão me manteria. Quem garante que esta água é mesmo limpa como eles dizem ?'', questiona a balconista Daiane Maia.
A costureira Fátima da Rosa só usa água da torneira depois de fervida. A filha dela, Jane Rosa, entrou na Justiça para poder explicar à filha Jéssica, no futuro, por que ela não enxerga tão bem. ''A decisão é positiva, agora só falta receber o dinheiro.''
Os cunhados Malba Mazzarino e José Guimarães pagam até hoje um tratamento particular com um oftamologista de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí). ''A cidade voltou ao normal, ninguém lembra mais de nada. Só sofre quem foi atingido'', lamenta Malba.
''O surto não foi premeditado, foi consequência. Hoje, a intenção quanto à sanidade mudou bastante, mas deu vontade de entrar na Justiça porque era visível que dava para arrumar o sistema de captação de água. Faltou empenho e alerta de que poderia acontecer algo'', opina Guimarães.(M.G.)

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