Histórias sobrenaturais rondam túmulos e cruzes
Mauro FrassonDevoçãoMaria Aparecida reza pela saúde do irmão diante do túmulo de Maria Bueno: Vim aqui para desanuviar a tensãoPor respeito ou descrença, poucos se atrevem a mencionar as histórias sobrenaturais que cercam os cemitérios de Curitiba. A maioria diz nem ao menos se lembrar de algum caso assustador que poderia ter acontecido entre os túmulos. No Cemitério Municipal São Francisco, uma das histórias mais populares é sobre o romance de um rapaz com uma moça já falecida, segundo o zelador de túmulos Efre Grochoki. Um rapaz teria conhecido uma moça em uma festa e se apaixonado por ela. Fazia muito frio naquela noite, e como a moça estava sem casaco, o rapaz lhe emprestou o agasalho que vestia.
Ao amanhecer, o rapaz foi até a casa da garota para pegar de volta o casaco, e ali foi informado de que a moça já havia morrido havia alguns anos. Como ele não acreditava na versão do pai dela, os dois foram até o Cemitério São Francisco para que ele visse o local onde a garota estava enterrada. Ao chegar ao túmulo, a grande surpresa: o casaco emprestado na noite anterior estava lá.
Outra crendice neste mesmo cemitério é sobre os supostos milagres de Maria Bueno, enterrada lá. Assassinada por um policial no final do século passado, Maria Bueno - que ninguém sabe ao certo se era santa ou prostituta - passou a ser considerada milagreira. Todos os dias dezenas de fiéis passam pelo cemitério para depositar velas junto ao túmulo em troca de alguma graça, ou simplesmente fazer uma oração. O casal Maria Isabel e Odilon de Souza esteve visitando o túmulo de Maria Bueno na última quarta-feira para pedir mais saúde para a família. Segundo Maria Isabel, valeu a pena enfrentar uma viagem de cinco horas para se livrar das dores na coluna que a perseguem há anos. O casal foi visitar o túmulo também motivado pela saúde de Odilon, que sofre as sequelas de um derrame.
Junto ao túmulo de Maria Bueno, Maria Aparecida de Almeida chamava a atenção pela devoção com que rezava. Ela conta que foi pedir a recuperação do irmão. Acabei vindo aqui para desanuviar a tensão. (G.V.)





