O advogado Dálio Zippin Filho, 58 anos, é exemplo de pai dedicado que não teve medo de assumir a administração da casa. Separado depois de 15 anos, criou seis filhos, quatro meninas e dois meninos, com idades que variavam de 7 a 15 anos na época. A distribuição das tarefas domésticas, muita paciência e sinceridade garantiram a união da família e uma grande amizade entre eles.
Zippin, ainda solteiro, lembra que era considerado uma raridade por ter tantos filhos. ‘‘Eu não conseguia arrumar nem empregada, e nenhuma mulher é louca de casar com um pai de seis crianças’’, brinca. Entre as situações curiosas que guarda na memória, o advogado lembra quando as quatro filhas pediram sutiãs. Ele tentou que podia resolver o problema sozinho e foi ao shopping para comprar as lingeries. ‘‘Acabei tendo de chamar uma amiga na loja ao lado para me ajudar a escolher’’, diz.
Quatro filhos de Zippin ainda moram com ele. ‘‘Em nenhum momento eu me arrependi de ter ficado com os meus seis filhos’’, diz. ‘‘Nós crescemos juntos e aprendemos juntos. É muito gratificante.’’
O médico cardiologista Marcelo de Freitas Santos, 30 anos, ficou casado durante um ano e meio e assumiu o compromisso de cuidar sozinho de seu filho Alexandre, hoje com seis anos, quando o menino tinha seis meses. Trocou a residência médica em São Paulo pelo mestrado no Hospital de Clínicas da UFPR porque era impossível manter as constantes viagens com um bebê. Alexandre foi para a escolinha quando tinha um ano e oito meses. Depois de trabalhar o dia inteiro, Santos pegava o filho na escola às 19 horas. Recomeçava o trabalho: fazer a comida, dar banho e trocar fraldas. ‘‘Quando tinha uma emergência de madrugada, eu levava o Alexandre junto porque não tinha com quem deixá-lo’’, conta. ‘‘Eu avisava o pessoal do hospital e um cobertor era colocado no chão da sala de cirurgia, onde ele dormia enquanto eu trabalhava.’’
Quando se separou, Santos foi viajar para Aruba com Alexandre. As fotos da viagem são, no mínimo, curiosas. Ele aparece com Alexandre no colo, cercado por um carrinho, um bebê conforto e quatro malas. ‘‘O mais difícil foi concliar a tarefa de cuidar dele com a minha vida profissional sem abrir mão de dar meu tempo a ele’’, lembra. ‘‘Eu mesmo queria criá-lo, sem repassar esta responsabilidade para outra pessoa.’’ (A.V.)

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