Histórias opostas: uma perde, outro acha
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Telma Elorza<BR>Reportagem Local 
O maitre João Carlos Baptistella, o Jota, 37 anos, é praticamente um ''achador'' de objetos profissional. Acostumado a lidar com eventos que reúnem multidões, Jota encontra de tudo um pouco após cada festa. Ele já perdeu as contas de quantos óculos, relógios, celulares e bolsas, entre outros, já deixou aos cuidados da família ou organizadores do evento. ''É muito comum, na hora de recolhermos tudo, encontrarmos as coisas sobre as mesas ou caídas por ali'', explica.
Mas, mesmo com tanta experiência, nunca vai esquecer o brinco de brilhantes que achou no chão, no final de uma festa, na cobertura de um hotel de Londrina, em 1992. ''A princípio, pensei que fosse uma bijuteria de tão grande que era. Mas, depois, analisando a qualidade, vi que tinha que ser a coisa verdadeira'', conta.
Segundo ele, nesses casos, a atitute não pode ser outra: ''Levei direto ao sócio-gerente do restaurante. E ele me disse que a proprietária já o tinha procurado e estava desesperada pela perda'', conta.
Mas Jota parece que também atrai coisas perdidas mesmo quando não está trabalhando. Seu último achado foi um álbum com cerca de 30 fotos, que encontrou no chão quando andava pela Avenida Rio de Janeiro (Área Central), há pouco mais de uma semana. ''As fotos mostram um casal de japoneses, bem jovens, no Japão. Para mim, parece que estão em lua-de-mel.'' Elas só não foram devolvidas ainda porque ele não sabe para quem entregá-las. ''Estou pensando em deixá-las numa agência de turismo que é especializada em viagens ao Japão. Quem sabe ali eles conheçam o casal'', arrisca.
Já a assistente social Márcia Avelar, 35 anos, está na outra ponta dessa cadeia. Ela vive perdendo coisas, principalmente sombrinhas e guarda-chuvas. ''Já perdi uns nove. É só parar em algum lugar para esquecer um, mesmo que lá fora esteja a maior chuva'', lembra. Segundo ela, nunca recuperou um que fosse.
Ela também é grande ''esquecedora'' de sacolas ''se saio com duas, volto com uma''. Inclusive chega a esquecer objetos em guarda-volumes de empresas. ''Cansei de contar quantas vezes voltei para casa com a chave do guarda-volume. Sorte que, nesses casos, é só voltar lá que está tudo guardadinho'', brinca.
Márcia reconhece que é distraída. Ela sempre tem que procurar o carro no estacionamento do supermercado porque nunca lembra onde o deixou. Mas diz que seu ''momento mais absurdo'' aconteceu há cerca de um ano, quando foi com as irmãs, filhos e sobrinhos a um shopping. ''Estava tendo um festival, em que a gente fantasiava as crianças para fazer as fotos. No total, estávamos com sete crianças, então era aquela confusão. Quando terminamos, estávamos já no estacionamento quando veio um rapaz correndo atrás da gente, com meu sobrinho no colo. Tínhamos esquecido dele'', conta, rindo. O garoto tinha, na época, pouco mais um aninho.


