A história do desenvolvimento do Estado do Paraná se confunde e se sustenta com a abertura das estradas pelo DER. Esta foi a conclusão dos presentes ontem no encerramento das comemorações dos 50 anos do órgão. Inúmeros episódios foram lembrados e contados por convidados para um público que reuniu ex-governadores, ex-secretários, engenheiros e o atual secretário dos Transportes, Deni Schwartz.
Convidado especial, o presidente do Conselho Administrativo da Folha, João Milanez, contou por exemplo, que o Norte do Estado saiu do ‘‘exílio’’ com a pavimentação das estradas. ‘‘Para conseguir rodar o jornal durante a noite, cansei de pegar um jipe e encontrar o caminhão de papel atolado na lama, no meio do caminho. Costumo dizer que naquela época estávamos exilados no Norte do Paraná. A comunicação veio com as estradas e o desenvolvimento foi possível’’.
Nessa época, há 48 anos atrás, os produtores de café da região chegavam a perder grande parte da safra sem ter como transportá-la. ‘‘Até aviões de guerra foram comprados para tentar tirar o café das fazendas e levar ao porto. Uma vez um caboclo deu a seguinte informação a um viajante: ‘‘para chegar a Londrina é só acompanhar a poeira.’’
Outro motivo de orgulho para os que contaram as histórias do DER e do Paraná, era ir ao interior e encontrar engenheiros e trabalhadores abrindo estradas nos fins-de-semana, contou. ‘‘Agora com os anéis rodoviários, o Paraná volta a conquistar seu grande lugar, com os paranaenses mais unidos’’. ‘‘Sem comunicação não se faz nada’’, disse Milanez.
O ex-diretor geral do DER, Saul Raiz, contou que o ex-governador Ney Braga foi buscar nos cursos de engenharia das universidades paranaenses os recém-formados para montar sua equipe. Entre eles, o próprio Raiz, Karlos Rischbieter, Afonso Camargo e Osíris Guimarães.
‘‘Quando anunciei a rodovia do Café, em Londrina, durante um discurso, o bispo Dom Gerald Canto me chamou de lado e advertiu: ‘‘Filho, não mintas que não vais para o céu, mas a rodovia chegou?’’, contou Raiz. ‘‘Pior foi um dia em que atolamos com um jipe perto de Boa Esperança, no meio de dezenas de caminhoneiros atolados há dias. Descobriram que eu era o responsável pela estrada e tive que improvisar um discurso prometendo providências rápidas.’’
O ex-secretário dos Transportes, Osíris Guimarães, lembrou que a Ferrovia Central do Paraná facilitou levar a produção do Norte até o Porto de Paranaguá. ‘‘Com a ferrovia tínhamos mais uma modalidade de transporte e ficou mais fácil usar o porto ao invés do de Santos.’’
‘‘O meu compromisso era tão forte que cheguei a fazer papagaios em bancos privados para pagar a folha dos trabalhadores do DER. Minha mulher tinha que assinar junto, era uma exigência dos bancos o meu aval pessoal’’, recordou o ex-governador Jaime Canet Júnior.

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