Histórias e lembranças nos 60 anos do Vicente Rijo
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
O Colégio Estadual Professor Vicente Rijo (Área Central de Londrina) completa 60 anos este mês. Para comemorar, agendas foram distribuídas aos alunos, uma logomarca especial de aniversário foi produzida e uma série de atrações culturais e festas está prevista para todo do ano. A escola é a segunda maior do Paraná, com cerca de 3,2 mil alunos, 150 professores e 45 funcionários. O prédio tem 54 mil metros quadrados, sendo 18 mil de área construída.
Diante de tantas comemorações, o colégio se enche de lembranças e histórias. O professor Nelson Avila Simão recorda do dia em que reencontrou os antigos professores, só que desta vez como colegas de trabalho. Ele foi aluno do Vicente Rijo, e desde 1977 dá aulas de química. Quando era estudante, a escola ainda não ficava no cruzamento das avenidas JK e Higienópolis, e sim em um prédio da Zona Oeste, onde funciona o Colégio Estadual Marcelino Champagnat. ''Comecei em março de 1964, poucos meses depois viria o golpe militar que marcou nossa vida estudantil''.
Simão conta que com os militares um novo diretor assumiu o colégio e logo novas regras foram traçadas. Uma delas, inclusive, proibia o uso de cabelos compridos. Ele revela que foi chamado algumas vezes na diretoria por não estar com o corte exigido, que deveria ser feito quinzenalmente. ''Depois como professor a gente tinha que passar pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), senão não tinha aula atribuída'', relembra.
A história da ex-professora de Ciências e Biologia Francisca Helena Magalhães Ventura também tem a ver com as regras rígidas, que fizeram fama no Vicente Rijo. Contrariando a norma, ela foi a primeira professora a dar aula de calça, traje proibido por ser considerado masculino para a época. ''A gente devia usar mini-saia. Mas não é pior que calça?'', questiona, preservando um relativo tom de indignação na voz. Depois da iniciativa, outras professoras passaram a fazer o mesmo, o que levou à mudança da regra.
Professora Francisca, como era chamada, ainda conta que esteve à frente de outras situações inusitadas. Em uma delas teve que convencer a mãe de uma aluna a não exigir que a filha abortasse. ''Como eu dava aula de biologia, a gente conversava muito sobre sexualidade, e muitas meninas contavam pra mim o que não tinha coragem de falar em casa'', explica. Hoje, alguns anos depois, a professora relembra emocionada do dia em que reencontrou a ex-aluna, a mãe e o filho já crescido.
Perspectivas Com tantas boas lembranças, o professor Simão lamenta apenas a falta de interesse dos jovens pela escola. Ele afirma que as distrações que cercam o colégio competem com a sala de aula. ''Não é somente a falta de investimento no ensino público, mas a tecnologia também atrapalha, porque atrai o adolescente de uma forma que nós não conseguimos acompanhar'', analisa.
Para o diretor do colégio, José Donizetti, o momento é de expectativa. Ele explica que, em 15 anos no Vicente Rijo, já passou por situações difíceis pela falta de estrutura, mas comemora os recentes investimentos. ''Hoje temos bons laboratórios, uma biblioteca estruturada, e continuamos buscando parcerias. Como o colégio é grande, a demanda também é sempre grande.''


