Aos 16 anos, Jair Kedson Souza está na sétima série e divide os bancos escolares com colegas de 12 ou 13 anos. Incluído no grupo de alunos repetentes que recuperaram o desempenho escolar após a intervenção da pedagoga Silmara Naves Dias na Escola Estadual Monsenhor Josemaria Escriva, o rapaz reprovou o ano quatro vezes, nas quinta e sexta séries.
''Na primeira vez, eu não entendia o que os professores falavam e tinha vergonha de perguntar, achava que os colegas iam rir de mim. Depois, comecei a bagunçar para me enturmar'', relatou. A estratégia para fazer amigos deu certo nos primeiros meses. ''No final do ano, todo mundo passou e eu fiquei.''
Estimulado pelos professores, no ano passado ele foi um estudante dedicado e percebeu que, como a maioria dos alunos da escola, era capaz de aprender. ''Neste ano já dei explicações para os meus colegas de sala. Saber as matérias também ajuda a ter amigos'', avaliou ele, que aprendeu a ficar focado nas explicações dos mestres para não perder o conteúdo. ''Às vezes tenho vontade de conversar, mas tento me controlar.''
Também aluno da sétima série, Luiz Felipe de Andrade, 15, reprovou três vezes até perceber que o sucesso na escola dependia do próprio esforço. ''Aprendi a ter mais opinião, não ir na conversa dos colegas que bagunçavam'', contou ele, que ainda conversa e faz brincadeiras em sala de aula, mas consegue prestar atenção às explicações para não se perder nos estudos.
No ano passado, depois de fechar quase todas as notas no terceiro bimestre e entrar em férias ainda no início de dezembro, sem ter que passar por recuperação e conselho de classe, ele percebeu as vantagens de ser bom aluno. ''Na sétima série, estou sentando na frente e prestando mais atenção.''
Ser o mais velho da turma, para Felipe, tem algumas compensações. ''Já sei um pouco mais que os outros'', afirmou. A vantagem, entretanto, não é suficiente para justificar as reprovações. ''O lado ruim é que os meus colegas são muito crianças. A gente pensa diferente e já não acho graça nas brincadeiras que eles fazem.''
Autoestima
Com história semelhante à dos colegas, Gleicyane de Almeida, 14, também acumula duas repetências no histórico escolar. A primeira, na quinta série, foi por faltas. ''Minha mãe ficou doente e precisei cuidar da casa.'' Na segunda vez, o ano foi perdido por dificuldade de entender o que os professores explicavam. ''Fiquei envergonhada e chorei bastante. Achava que reprovar duas vezes não era normal.''
Com apoio da pedagoga da escola, recuperou a autoestima e conseguiu a sonhada aprovação. ''Me acalmei, deixei de me influenciar pelas más companhias e consegui passar de ano'', comemora a moça que sonha ser médica ou fotógrafa.
As faltas constantes também foram a causa da segunda reprovação de Jéssica Lays, 14 anos, matriculada na sétima série. ''Eu tinha medo de fazer as provas e tirar zero. Por isso, faltava no dia da avaliação'', explicou a garota, que conseguiu superar o medo. ''Tinha vergonha de fazer perguntas, mas os professores me deixaram confiante. Fiquei muito feliz quando passei de ano.''(C.A.)

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