Com a divulgação do resultado do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na semana passada, o momento agora é de muita expectativa para o início do curso tão sonhado pelos calouros. Para os 90 alunos do Curso Especial Preparatório para Vestibular da UEL (CEPV), a entrada na universidade tem um gostinho especial: o de superação de vários obstáculos.
Sensação que o porteiro Joel Viana Rabello, 59 anos, conhece bem. Após 40 anos longe dos bancos escolares, ele decidiu realizar um antigo sonho: cursar Ciências Sociais.
Para passar no concurso, o porteiro, de fala tranquila e sempre sorridente, conta teve que percorrer um caminho difícil. ''Como eu já tinha feito supletivo há muito tempo, eu sabia que a grade curricular havia mudado muito e eu não tinha condições de pagar um cursinho particular'', explica. ''Foi aí que eu fiquei sabendo, pelo jornal, que a UEL oferecia esse curso preparatório e me inscrevi.''
Rabello conta que aliar o trabalho à rotina de estudos e de pai de família não foi fácil. O porteiro trabalhava o dia todo e do serviço ia direto para o cursinho, sem tomar banho e nem comer. ''Eu sabia dos sacrifícios que iria enfrentar, como não passar muito tempo com a minha família, mas eu não podia abrir mão de algo tão importante para mim.''
''Tem certos momentos na vida em que é preciso sairmos de nossa zona de conforto e buscar algo diferente, um novo sentido para nossa vida. Se não, ficamos sempre na mesmice e isso não era algo que eu queria para mim'', detalha Rabello.
De acordo com Rabelllo, o trabalho realizado pelos instrutores do CEPV foi fundamental para sua preparação e aprovação no vestibular. ''Durante todo o curso, eles me auxiliaram em tudo o que eu precisava, nos preparam para concorrer de igual para igual com os demais candidatos, não tenho palavras para descrever a grandiosidade do apoio dado por eles'', revela.
O futuro calouro da UEL conta que após a sensação de êxtase ao saber de sua aprovação, o momento agora é de expectativa para o início das aulas e de esperança em realizar seus projetos. ''Quero trabalhar com formação humana, acredito que aliando minha experiência de vida e a formação acadêmica, poderei realizar palestras, colaborando para que outras pessoas alcancem seus objetivos de vida'', enfatiza.
''Às vezes, as pessoas reclamam do governo e de tudo o que está ao seu redor e perdem a oportunidade de buscar meios de vida mais viáveis para ela'', afirma Rebello. ''É preciso levantar da cadeira e fazer algo por nós mesmos ao invés de ficar esperando.''
Persistência
Foi essa mesma persistência que fez a costureira Karina Fagundes da Silva, 24 anos, fosse aprovada no curso de Educação Física. Após seis anos longe dos estudos, Karina decidiu prestar o vestibular. Apesar das diculdades em conciliar os estudos ao seu trabalho em uma fábrica de costura, seus afazeres como dona de casa e de mãe da pequena Larrisa Gabrieli Fagundes Silva, três anos, Karina não desistiu.
A costureira explica que foi graças à oportunidade que teve de realizar o curso preparatório gratuito da UEL que ela passou no vestibular, pois jamais poderia pagar um curso particular. ''Foi um ano bem difícil para mim, tinha que estudar nos intervalos do trabalho e aos finais de semana, que era o único momento que eu tinha para passar ao lado da minha filha'', conta. ''Mas tudo valeu a pena e hoje eu estou me sentindo realizada, serei professora, como sempre quis e trabalharei com esporte, que é algo que amo.''

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