Histórias de mulheres vitoriosas
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
A semana começou diferente para um grupo de mulheres que participou ontem da produção de fotos para a exposição "Mulheres Vitoriosas", organizada pela empresária e voluntária do Hospital do Câncer de Londrina Adriana Pontin. A ação faz parte da programação do Outubro Rosa, que visa a conscientização sobre o autoexame para diagnóstico precoce do câncer de mama.
Esta é a segunda edição da exposição, que ainda não tem data e local definidos. "A intenção é conscientizar as pessoas da importância do autoexame e de fazer mamografia. Mostrar que, descobrindo cedo, o câncer de mama tem cura", diz a empresária. Adriana acredita que retratar a alegria dessas mulheres é um jeito de mostrar um outro lado da doença. "Elas chegam produzidas para as fotos e é uma forma delas se verem de um modo diferente."
Cerca de 20 mulheres que estão em tratamento ou que já venceram a luta contra a doença foram clicadas em um condomínio da zona sul, com a camiseta do movimento e lenço cor-de-rosa. Cada uma com uma história de força e superação. Mulheres como a professora Ismari Fidelis, de 33 anos, que aos 29 anos descobriu um nódulo na mama esquerda. Foram oito meses de rádio e quimioterapia. Período em que recebeu o apoio da família e amigos. "Por mais que fosse ruim, estava amparada", recorda. Ela fez mastectomia total (retirada da mama).
No ano passado, Ismari descobriu que estava com câncer nos ovários e na mama direita. A luta pela vida recomeçou e, na semana passada, ela recebeu a confirmação de que está curada. "O importante é estar aqui. Peito não faz falta. O corpo é só uma casca", ensina.
Ela confessa que em alguns momentos teve medo de morrer. O período mais difícil, segundo ela, foi durante a quimioterapia, quando o cabelo caiu. "Cair o cabelo é o pior. As pessoas te olham e sabem que tem alguma coisa errada. Choca e a piedade delas é o mais difícil", conta. Ismari recorda que o filho dela, na época com 6 anos, cortou uma mecha do seu cabelo e guardou.
Outro momento complicado para a professora foi lidar com os medos do filho. A mãe dela havia morrido três anos antes por causa de um tumor no cérebro. "Tive que trabalhar com ele que eu não ia morrer." Para ela, participar da exposição é uma oportunidade de mostrar que elas venceram o câncer e que a doença não é o fim, e pode ser o começo de coisas boas.
O movimento Outubro Rosa começou em Londrina há sete anos, com o grupo Amigas do Peito e apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), e das secretarias de Saúde do Estado e do município. "Hoje, o movimento está ampliado e consolidado, sempre divulgando a importância do conhecimento das mamas. Segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), este ano teremos 57 mil novos casos no Brasil e mais de 15 mil mulheres vão morrer por causa do diagnóstico tardio. É importante o autoexame para o diagnóstico precoce ", afirma Célia Hauly, coordenadora do Outubro Rosa.
HISTÓRICO FAMILIAR
Foi durante um evento do Outubro Rosa que a professora Daniela Marinho, de 36 anos, confirmou que o caroço que sentiu no seio era o início da doença. Um diagnóstico que já acompanha a família. Das cinco filhas de dona Lourdes, de 69 anos, três foram diagnosticadas com tumor. Ela mesmo precisou de forças para vencer tumores no útero e no intestino.
A filha mais velha, Ana Cristina, de 46 anos, descobriu o câncer em 2000. Passou por tratamento, retirou a mama, mas teve outras duas recaídas, em 2006 e 2014. Por causa do diagnóstico de Ana Cristina, as irmãs foram orientadas a fazer mamografias. Em um exame, Viviane, de 40 anos, recebeu a notícia que também estava com a doença. "A palavra câncer é muito forte e a mãe sempre cuidou de nós. Somos muito unidas e o exemplo da minha irmã (Ana Cristina) foi uma motivação para olhar para frente", afirma Viviane.
Daniela não se abateu com a doença. Durante o tratamento, terminou a faculdade. Mas o apoio da mãe foi fundamental. "Ela é o nosso anjo, nosso alicerce. Ficamos fortes pela força dela. A mãe passou pelo tratamento de câncer duplicado. Viveu a dor do filho e a dela", comenta Viviane, orgulhosa também pela força da irmã.
Para dona Lourdes, a força para superar os momentos difíceis veio da fé. "Sentia que tudo ia dar certo. O tratamento não é fácil e quando estava complicado, me ajoelhava e pedia força a Deus."