Histórias de dificuldades e vitórias
A família Guy havia chegado ao Brasil em 1921 e, sendo inviável o oeste de Minas Gerais (solo exaurido e alta incidência de malária), mudou-se para o Estado de São Paulo em 1924. O casal Maria-Emílio Júlio Guy e os filhos, Guilherme e Walter, trabalham em cafezais em Santo Anastácio e Presidente Bernardes. Em 1931, a poupança familiar atinge sete contos de réis, valor da prestação inicial correspondente ao lote de 20 alqueires que Guilherme escolhe na Gleba Jacutinga. Um ano após, toda a família Guy entrou no Heimtal.
O sobrenome Guy - os alemães pronunciam forte o u - vem de um ancestral francês. ''Mas ele é alemão, é Wilhelm, Willy'', explica um neto de Guilherme. No dia 29 de novembro próximo, Willy completará 105 anos e, provavelmente, estará em condições de repetir a sentença do ano anterior: ''Meus pés ainda me carregam''.
Chegou ao Heimtal aos 27 anos, com a esposa, Helena, e três filhos, mais cinco nasceriam. Difíceis os primeiros anos. Trabalharam na construção da ponte ferroviária no Rio Tibagi e derrubaram a mata em lotes de outros pioneiros.
Na cronologia de Willy, a economia melhorou após a chegada do trem, em 1935, e a bonança veio no pós-guerra, com a valorização do café. Na década de 1970, a família já havia multiplicado o patrimônio em imóveis rurais e urbanos.
Nova Dantzig
Os Tkotz se estabeleceram gradativamente entre 1931 e 1933 e passaram à história de Cambé (ex-Nova Dantzig, escrito com ''t'' para facilitar a pronúncia) pelas atividades urbanas. ''Nossa família sempre foi muito conservadora, primeiro moramos em Danzig (hoje Gdansk, na Polônia), depois em Nova Dantzig e daqui não vamos sair nunca, é a nossa terra'', resumiu Ronald Tkotz a aventura familiar.
''De repente, Cambé virou essa metrópole e o nosso prefeito, agora, quer construir o metrô, o que você acha?'' - provocou em tom divertido. Ronald mora no ''Sítio Pirilampo'', de jardins e árvores plantadas há 30 anos. ''Preparamos o sítio para essa fase de nossas vidas'', disse a esposa, Vera.
O patriarca, Pedro, era mestre em mecânica reconhecido pela Câmara de Profissionais da Cidade de Danzig e chegou à futura Cambé com um estoque de mercadorias. Vendeu a terra na colônia e abriu loja de bicicletas, motocicletas, radiolas, armas etc. Cresce a vila e Ronald, um dos cinco filhos, abre a ''Oficina Nova Dantzig'', que no período da Segunda Guerra oferece a alternativa do gasogênio.
A partir de 1948 produz molas flexíveis para substituir o ''molejo extremamente duro'' dos Jeeps. E transforma a empresa em ''Fábrica de Molas Blacksmith'' (1950), a seguir ''Molas Cambé'', a partir de julho de 1960. (W.S.)





