O engenheiro agrônomo Nestor F. da Silva escrevia ‘Notas Agronômicas’, na qual difundia ‘‘melhoramentos na técnica agrícola’’. No dia 5 de maio de 1954, após visitar fazendas de café financiado pelo Banco do Brasil, Silva escreveu que vira ‘‘milhares de cafeeiros em plena pujança, mas sem outros melhoramentos a não ser o trato da lavoura’’.
Observara também que outras fazendas aproveitavam os recursos naturais; outras tinham ainda criação extensiva e intensiva de gado. ‘‘Nas duas modalidades (criações extensiva e intensiva) já se pode aproveitar restos orgânicos de grande valor para os cafezais’’, analisava. Acrescentava que, em outras propriedades, havia gado estabulado ou semi-estabulado. Essas propriedades formavam esterqueiras, ‘‘de valor apreciável’’.
Era a modernidade chegando, no adubo orgânico (interação agricultura-pecuária, uma realimentando a outra, completando-se), na criação intensiva, no semiconfinamento, e nas rodas d’água que Nestor da Silva vira sendo usadas em algumas fazendas norte-paranaenses, para jogar água nos cochos dos pastos e/ou movimentar turbinas e gerar eletricidade.
Mate x caféEm 15 de maio de 54, era noticiado que o prefeito de Maringá, Inocente Vilanova Júnior, propunha a substituição do café por erva-mate, como base da economia regional. Não passou da idéia. O jornalista Benedito Barbosa Pupo comentou o caso, na primeira página da Folha.
Benedito fez um comentário, criticando Vilanova, mas sem informar por que o prefeito de Maringá tivera aquela idéia. ‘‘A vingar o extraordinário plano do Sr. Inocêncio, veremos em breve uma transformação radical da paisagem norte-paranaense, com profunda repercussão econômica no Estado e no País’’, disse o articulista. Ele comentou que ‘‘várias medidas’’ tinham sido tomadas por aquele prefeito, visando substituir o café pelo mate. Mas, referiu-se apenas a uma: a instalação de um quiosque ‘‘em praça central’’ de Maringá para propaganda da erva e distribuição do mate.
Naquela época, o loteador Jamil Jamus, de Apucarana, anunciava a venda de terras na Cidade de Mauá, que na verdade ainda nem existia como cidade e hoje é um dos novos municípios do Estado. Mauá, agora terra de hortaliças e grãos, nasceu impulsionada pelo café.
Moderna, porém...Como outras belas obras públicas, a então moderníssima rodoviária de Londrina (atualmente Museu de Artes) ‘‘não era confortável’’. A denúncia, do vereador Mário Romagnolli, foi divulgada pela Folha em maio de 1954: a rodoviária de revolucionário estilo arquitetônico, projetada pelo arquiteto Villanueva Artigas, não oferecia conforto aos usuários. No mínimo, quando chovia molhava os que aguardavam embarque ou que já estavam embarcando nos ônibus. No inverno, o vento frio ‘cortava’ os passageiros.
A história se repete. Aconteceu o mesmo, em anos recentes, com a nova estação rodoviária, projetada por Oscar Niemeyer: bonita, mas chovia dentro. Foi preciso modificar o projeto, para dar mais conforto aos usuários nos dias de chuva e frio. Ambos os casos foram noticiados pelo jornal.
Congresso, tuberculoseEm 4 de maio de 54, noticiava-se que a Câmara Municipal designara uma comissão de vereadores para representá-la no 3º Congresso Nacional de Municípios, que se realizaria em uma ‘estação de águas’ de Minas Gerais. Os ‘embaixadores’ de Londrina, como a Câmara denominara os seus representantes no congresso, foram Amaury de Oliveira e Silva (mais tarde Ministro do Trabalho no Governo João Goulart), Aristeu dos Santos Ribas, Ivan Luz, Rui Ferraz de Carvalho e W. Pereira. O jornal não informou depois qual foi o resultado do congresso.
Mas informava que fora aprovada, sem debate, a doação de uma área para o Serviço Nacional de Tuberculose construir um hospital em Londrina, ‘‘no prazo máximo de dois anos’’. O hospital não foi construído até hoje.
RondaNa época (1954), a Folha já publicava a seção ‘Ronda pela Cidade’, que era uma coluna de pequenas notas. Como, por exemplo, protestos da população contra lugares barulhentos, buracos nas ruas, falta de água e por aí afora. Entre outros, foi responsável pela ‘Ronda’ o jornalista Estélio Feldmann, que hoje, além de editorialista do jornal, faz a ‘Praça Londrina’, uma espécie de ‘Ronda’ ampliada e comentada.
Trecho de nota divulgada pela ‘Ronda’, em 54: ‘‘A rua Acre, prolongamento, nas proximidades da esquina com a rua Amazonas, está apresentando uma valeta respeitável, que a torna impraticável...’’Dorico da Silva‘Tecnologia’Rodas mandavam água para os cochos e geravam energia elétrica para as fazendas. Abaixo, muda de caféJota Oliveira

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