Histórias brasileiras da 2 Guerra
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quinta-feira, 06 de maio de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
À meia noite do dia 2 de julho de 1944, cinco mil soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) zarpavam do porto do Rio do Janeiro rumo à Itália. Começava, então, a participação efetiva do Exército Brasileiro na 2 Guerra Mundial. Uma saga que duraria até 21 de fevereiro de 1945, após a tomada de Monte Castelo, que pôs fim à resistência alemã em território italiano. A rendição da Alemanha de Hitler aconteceria em 7 de maio do mesmo ano. A data, lembrada como Dia da Vitória, é celebrada hoje com a reunião de ex-combatentes numa cerimônia no Batalhão do Exército em Apucarana.
José Soares Neto, 82 anos, ainda guarda relíquias como o o cantil que, ao invés de água, só recebia vinho - ''o frio era muito grande'' - e um capuz com um furo do lado direito causado por um estilhaço de morteiro que perfurou seu tímpano. Ele conta que servia em Quitauna (SP) quando, com 22 anos, foi convocado para integrar o 1º Escalão da FEB que seguiria para a Europa. ''Faltaram 40 homens para completar o regimento de cinco mil soldados. Estava preso no quartel quando chegou um sargento chamando cicrano, fulano e eu'', recorda-se. Soube que iria para a guerra quando já estava no caminhão em direção à São Paulo.
A viagem de navio até o porto de Nápoles, na Itália, durou 14 dias. O desembarque foi no dia 2 de julho de 44. ''Muitas vezes tínhamos que mudar de rota para fugir dos submarinos alemães. Quando o navio se aproximou do porto foi que bateu a tristeza: vimos a cidade, os prédios, tudo estava destruído.'' A tristeza aumentaria com a morte de um colega, ''o Polaquinho'', atingido por um morteiro logo nos primeiros combates. Depois disso, Soares conta que ''o coração petrificou''. Em dezembro daquele ano, ele próprio seria vítima dos temidos morteiros. ''Sentimento da guerra não tenho nenhum. O instinto do cidadão de saber que cumpriu com seu dever com muito sacrifício compensa tudo que passamos''.
Amante de música - guitarra e flauta - Custódio Florentino de Lima, 82 anos, foi para guerra aos 21 anos. Como sargento, comandando um grupo de infantaria de 13 soldados. Chegou na Itália a bordo de um navio americano na manhã do dia 6 de outubro. Logo na chegada, foi ''recebido'' por aviões alemães. ''Fui porque pedi, escondido da família. Foi aí que percebemos realmente que estávamos na guerra'', revela. Determinado, foi elogiado publicamente em diversas ocasiões pelos superiores e chegou a receber uma ''Medalha de Campanha''. Sua tática para motivar os soldados a continuar marchando sob a neve e chuva era fazer reuniões e transmitir a necessidade de continuar lutando. ''Nunca precisei prender ninguém'', garante.
Após cinco sangrentas batalhas, os expedicionários brasileiros foram os primeiros soldados das Forças Aliadas a atingir o cume mais alto da cadeia de montanhas do Monte Castelo. Chegava o fim da guerra e começava a vitoriosa história dos pracinhas brasileiros.


