Historiadores retomam tese da ocasionalidade
A tese da ocasionalidade do descobrimento está sendo retomada pelos historiadores. Eles consideram que a esquadra de Cabral não estava preparada para uma viagem de reconhecimento ao Brasil, informou a professora de História da UEL, Enezila de Lima.
Conforme a professora, dois anos antes da viagem de Cabral, em 1498, o navegador português Vasco da Gama chegou a Calicute, na Índia, o que reforça a tese da ocasionalidade. A esquadra de Cabral foi montada para negociar especiarias nas Índias e seguiria pelo mesmo caminho traçado por Vasco da Gama, explicou. As especiarias, segundo Enezila, importantes para a conservação de alimentos, movimentavam o mercado de negócios entre a Europa e Oriente. A tese se sustenta na continuação da viagem de Cabral. Saindo do Brasil ele rumou para as Índias, afirmou. O escrivão Pero Vaz de Caminha morreu na batalha.
A tese da intencionalidade também é aceita. Os portugueses insistiam no deslocamento para a esquerda da linha do Tratado de Tordesilhas, o que pressupõe o conhecimento do território brasileiro. Para Enezila, o mais importante no descobrimento é o princípio do domínio. Os índios já eram súditos de Vossa Majestade, D. Manoel I. Ela ainda mencionou outro fato histórico. A globalização começou ali. (M.B.)





