O historiador Jorge Sernev, professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), também identificou erros em três das cinco alternativas da questão 34 do concurso - na A, B e E.
A alternativa A diz que ‘‘a Companhia de Terras adquiriu, em 1929, o controle acionário da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, cujos trilhos chegaram a Londrina em 1935’’. Segundo ele, a Companhia de Terras adquiriu a concessão e construiu a ferrovia de Cambará até Londrina. O projeto previa apenas a ligação do Norte Pioneiro com o Sul do Estado. Mas a Companhia construiu este ramal na direção oeste. ‘‘Portanto, a questão está errada pela forma como está escrita.’’
Sobre a alternativa B, o professor diz que está, sobretudo, confusa, pois diz que a ocupação do Norte do Paraná teve início em 1860, quando teve origem os primeiros núcleos de povoamento. Para Sernev, esta questão também pode criar confusão, pois fala do Norte do Paraná de maneira genérica e o início da ocupação da região foi em 1851 e 53, quando surgiram Jataizinho e São Jerônimo da Serra.
Sernev considera a alternativa C correta, ainda que confirme a informação de Durães de que havia parte da terra adquirida pela Marcondes.
‘‘Mas realmente o Governo do Estado vendeu à Companhia de Terras Norte do Paraná a maior área de terra. Nas negociações ficou esclarecido que havia outros detentores de títulos, como a Marcondes, e que os compradores se responsabilizariam pela indenização dos proprietários.’’
O professor aponta vários erros na alternativa E. ‘‘Além de Willie Davids não ser o primeiro prefeito de Londrina, as terras do município não ficam à direita do Rio Tibagi’’, diz Sernev. Ele acrescenta que os erros e as divergências ocorrem porque não há uma obra básica que trate da ocupação do Norte do Paranᒒ, aponta.
As obras disponíveis, diz Sernev, são esparsas e tratam de períodos ou aspectos específicos da história. Apesar da carência de uma obra que unifique a narração da história local, o historiador destaca vários projetos de pesquisa em andamento. Um deles é o Projeto Cultural Comunitário (Cuco), desenvolvido pelo Departamento de História da UEL, Museu Histórico de Londrina e pela Secretaria Municipal de Educação. O Projeto coleta documentos e depoimentos de pioneiros. O material será transformado em livro.
Quanto à manipulação da história, Jorge Sernev reconhece a existência de pessoas em Londrina e outras localidades da região antes da chegada dos ingleses. ‘‘Apesar disso, não podemos negar que a colonização foi realmente feita pela Companhia de Terras Norte do Paraná. Portanto, pelos ingleses.’’ (A.N.)

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