Londrina - O Museu Histórico Padre Carlos Weiss e a Associação Amigos do Museu (Asam) implantaram uma cobertura para proteger a composição formada pela locomotiva Baldwin 480, o tender (onde ficava o carvão) e os vagões que estão expostos no local. Os maquinários históricos ficavam expostos às intempéries colocando em risco todo o trabalho de restauração que havia sido realizado.
Os vagões passaram por esse processo e foram entregues ao museu em junho de 2012 e a restauração da locomotiva foi entregue em maio de 2014. No entanto, a chuva, o sol forte e a própria passagem do tempo estavam colaborando para a degradação desse trabalho e do investimento feito para que tudo isso fosse preservado.
As obras de construção da cobertura começaram em 12 de fevereiro e foram concluídas em 13 de março, durante a greve dos professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para que elas tivessem continuidade, a Asam e o museu fizeram um pedido para o comando de greve para isso, já que o trabalho não dependia de verbas estaduais.
O visitante do museu perceberá que o lado direito da composição está mais preservado, com a pintura dos vagões com as cores muito próximas do estado original da época do restauro. Do lado esquerdo, no entanto, mais exposto ao sol e a chuva, já é possível perceber a pintura mais desgastada, desbotada e algumas partes descascando.
A estudante Sara Fortunato dos Santos, de 16 anos, estava ontem no museu e apoiou a iniciativa de instalação da cobertura. Segundo ela, isso ajudará a conservar o trem. "Acho que pode ter mais melhorias, como colocar o maquinário em um local mais fechado, mas já foi alguma coisa para que a locomotiva e os vagões fossem conservados." Ela relatou que temia que o trem se degradasse ainda mais.
A curadora do Museu, Regina Célia Alegro, afirmou que a implantação da cobertura é "absolutamente necessária" para a conservação da locomotiva e dos carros ferroviários. "O sol e a chuva são arrasadores, o tempo também. Eles contribuem para que os objetos sejam danificados e sejam destruídos." Ela destacou que a cobertura foi feita em estrutura metálica removível, pintada de branco. "Fizemos uma instalação e não uma construção que interferisse permanentemente na paisagem do museu. Se Londrina, mais tarde, quiser fazer uma outra edificação, esta estrutura é leve e de fácil remoção. Pode ser aproveitada em outro lugar", apontou.
O valor total da obra foi de R$ 60 mil e o investimento foi viabilizado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), em parceria com a Associação Amigos do Museu (Asam). A cobertura tem 46 metros de comprimento por quatro de largura e 4,3 de altura.
A locomotiva a vapor foi fabricada em 1910 e foi doada para a UEL em 1999, como patrimônio histórico. Trata-se de uma máquina semelhante àquelas que transitaram pela antiga estação ferroviária, hoje convertida em museu e que trouxe muitos trabalhadores para a cidade e também foi responsável pelo transporte de parte da produção da cidade para outras regiões do País. Os vagões, por sua vez, eram da extinta Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (R.V.P.S.C), que foi adquirida pela Rede Ferroviária Federal (R.F.F.S.A). Os dois vagões estão no museu desde 1998.

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