História preservada
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Londrina - Quando se fala em museu em Londrina, a lembrança imediata é dos museus Histórico e de Arte. Sem a mesma visibilidade, empresas e entidades mantêm espaços que preservam capítulos importantes da história da cidade.
Em 2006, foi inaugurada a Casa da Memória Madre Leônia Milito. "A casa existe desde 1957, quando madre Lêonia chegou a Londrina, e ela morou lá até morrer, em 1980, em um acidente de trânsito. Um grupo de leigos batalhou pelos recursos para que a casa fosse transformada em um espaço histórico", explica a irmã Aparecida de Lourdes Arado, coordenadora do espaço. A casa preserva a história de vida e a missão de madre Leônia, com objetos e móveis da época em que a religiosa (atualmente em processo de beatificação) morou no local.
Este ano, a casa foi expandida com o anexo Dom Geraldo Fernandes, homenagem ao primeiro bispo e arcebispo de Londrina, que em 1958 fundou com madre Leônia Milito a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret. O local reúne objetos relacionados a dom Geraldo, como livros escritos por ele, móveis do seu escritório e objetos religiosos e litúrgicos que ele utilizava para rezar a missa.
"Em 2013, nós comemoramos o centenário de nascimento de Dom Geraldo e Madre Leônia", diz irmã Aparecida. Segundo ela, a casa recebe cerca de dois mil visitantes por ano. "É um espaço significativo não só para as irmãs claretianas, mas para toda Londrina. Madre Leônia e Dom Geraldo são figuras de representatividade internacional", justifica a coordenadora.
Rota do Café
O Museu da Sociedade Rural do Paraná (SRP), criado em 2007, reúne materiais institucionais da entidade, como linha do tempo, vídeos e cartazes da ExpoLondrina, peças históricas de produtores (machados, máquinas, balanças) e acervo com documentos que contam a história do agronegócio local.
"São registros que mostram que grandes decisões da cidade foram tomadas com participação da SRP. O Iapar foi criado aqui, a Rural teve influência na criação da UEL... Hoje, 80% dos bovinos no Brasil têm sangue zebuíno, e isso é resultado direto das duas importações da Índia que Celso Garcia Cid fez em 1960 e 62. A importação de zebus era proibida e ele só conseguiu após muita insistência com o presidente Juscelino Kubitschek. E o JK esteve aqui (na SRP), esteve na Fazenda Cachoeira (de Garcia Cid), essa história e outras estão documentadas no nosso acervo", explica Moacir Norberto Sgarioni, presidente da SRP.
O Museu da Sociedade Rural integra a Rota do Café, roteiro turístico que passa por localidades do Norte do Paraná para mostrar a importância da cafeicultura no desenvolvimento da região.
Também faz parte da rota um espaço que foi criado pela Embrapa Soja para contar a história do café na região de Londrina, desde os primórdios até a geada negra de 1975. "Não chamamos o local de museu, é um espaço para contar a importância do café no desenvolvimento de Londrina e região", explica Fábio Rogério Ortiz, assessor de comunicação da Embrapa Soja.
O espaço foi montado em uma tulha desativada, e reúne fotos, documentos e objetos da produção cafeeira (pilão, moedor). A tulha faz parte de um projeto de educação ambiental que inclui o museu científico da Embrapa Soja e uma trilha, onde são ensinados conteúdos sobre meio ambiente nos pontos de parada.
Evolução
A Sercomtel mantém dois espaços de preservação da memória da empresa, concessionária local de telefonia fixa e que também atua em internet e telefonia móvel: o espaço cultural e o espaço memória.
O segundo local é o museu da empresa, e alguns dos seus itens são expostos no espaço cultural, que pode ser visitado na sede da Rua João Cândido nos horários em que a loja está aberta. O museu também recebe visitas, mas apenas com agendamento.
Marcos Roberto Marques, gerente de Comunicação de Marketing da Sercomtel, relata que os itens do acervo (telefones públicos, centrais telefônicas, celulares "tijolões") mostram o quanto a tecnologia avançou desde a criação da estatal, em 1968. Os dois espaços surgiram a partir de uma exposição que foi feita no Museu Histórico em 2003, para comemorar os 35 anos de fundação da Sercomtel.
"Para este ano vamos tentar ser mais ativos para a visitação. Hoje, as visitas ao museu são mais de estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Queremos estimular mais a presença de alunos de Ensino Médio, Superior e técnico", afirma Marques.
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