História pode ser revisada
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Widson Schwartz<BR>Especial para a FOLHA 
Rolândia - Qual o dia certo para se comemorar o aniversário de Rolândia? Desde 1983 é o 29 de junho, alusivo à construção do hotel que se considera o marco inicial do perímetro urbano - a cidade propriamente -, e não mais 27 de novembro, referente ao início do núcleo rural, que é anterior. Quase 25 anos depois de ter aprovado a mudança, a Câmara Municipal admite uma revisão, por causa da confusão que dificulta o entendimento das novas gerações e descontenta a família Nixdorf.
Na sessão do Legislativo realizada na semana passada, com a presença de Klaus Nixdorf, o ex-prefeito Orlandino de Almeida sugeriu que se transfira a comemoração para 1º de janeiro, dia da instalação do município, preterindo-se as outras datas. ''Não dá, porque aí vão faltar 12 anos de história'', disse o ex-vereador Nikolaus Schauff à FOLHA, observando que a emancipação se deu em 1944 e a colonização começou em 1932. O hotel ''entra'' em 1934. Foi Schauff que propôs a mudança do aniversário, quando era vereador.
A história mais difundida envolve o agrônomo Oswald Nixdorf que, contratado pela Companhia de Estudos Econômicos de Além-Mar (na Alemanha), escolheu o lugar para uma colônia de alemães numa gleba da Companhia de Terras Norte do Paraná, onde o primeiro lote foi vendido a George Phillip, em 27 de novembro de 1932. E assim começou Rolândia.
Em dezembro daquele ano, Oswald Nixdorf construiu o primeiro rancho na gleba e se fixou com a família. Mas, segundo Klaus Nixdorf, duas professoras lhe telefonaram preocupadas, porque já se comenta que o russo Eugênio Larionoff fundou a cidade ao construir o Hotel Rolândia, em 29 de junho de 1934. E se não bastasse, recentemente o nome de Oswald foi posto em uma rua do singelo ''Jardim dos Pioneiros'', por iniciativa do presidente da Câmara, José Danilson de Oliveira. ''O homem que fundou Rolândia vai ter o nome numa ruazinha lá. Isto nos revoltou'', disse Klaus.
Livros e documentos foram levados à Câmara por Klaus, que expôs também a sua própria participação na comunidade de Rolândia, ''para os que não me conhecem possam julgar adiante pelo que vou falar''. Alegando que ''a história toda foi mudada de repente'', sugeriu uma comissão de pesquisas do Legislativo, a fim de certificá-la.
Oliveira lembrou que a atual legislatura é a 15, descendentes de alemães já passaram pela Câmara, mas a controvérsia persiste. Quanto ao nome de Oswald Nixdorf em uma rua, ''achei que fosse uma homenagem''. O presidente do Legislativo afirmou que acha possível criar a comissão de vereadores e historiadores, junto com a Secretaria de Cultura do município. Sem tomar partido, mas favoráveis à revisão, se pronunciaram os vereadores Maria Luiza Mller, Milton Alves, Waldiceu Verri, José de Paula Martins e Paulo Santis.


