História foi se perdendo com emancipações
Em 728 páginas, o livro O Paraná e seus Municípios retrata fatos interessantes da história do Estado e, muitas vezes, pouco conhecidos dos próprios moradores dos municípios. José Carlos Ferreira conta que a história do Norte Pioneiro, por exemplo, está intimamente ligada ao pequeno município de São José da Boa Vista.
A região, na verdade, nasceu em São José do Cristianismo, um patrimônio próximo a São José da Boa Vista. Um surto de malária muito forte na região fez a população se mudar para a cidade. A história liga vários municípios numa linha de desenvolvimento, mas as emancipações sucessivas, com o passar dos anos, fez os novos municípios esquecerem que um dia participaram destes acontecimentos, ressalta.
O mesmo fim teve o distrito de Frei Timóteo, em Jataizinho. Forte núcleo comercial na região, o distrito tinha diversas casas comerciais. Com o passar dos anos, as pessoas se mudaram para Jataizinho. Atualmente, pouca coisa resta daqueles tempos de glória em Frei Timóteo.
Um fato que chama a atenção na obra de Ferreira é o grande número de municípios com nomes de origem indígena - tupi, guarani e kaingangue. A explicação, segundo Ferreira, está no fato do Brasil ter aderido à frente aliada na Segunda Guerra Mundial. A Lei Federal 199, de 31 de dezembro de 1943, determinava que todos os nomes de municípios de origem alemã, japonesa ou italiana, fossem mudados, preferencialmente, para nomes de origem tupi-guarani.
Exemplos na região Norte estão Rolândia, que nasceu como Gleba Roland e, durante a Segunda Guerra, levou o nome de Caviúna. Cambé, na época chamava-se Nova Dantzig. Mas, a interpretação da lei fez as pessoas cometerem algumas injustiças, como o município de Lovat, atual Mandaguari. Na época da guerra, o nome foi mudado para Mandaguari por erro de interpretação. O nome Lovat era uma homenagem a Lord Lovat, inglês e presidente da Comapanhia Melhoramentos Norte do Paraná, que colonizou a região, explica. Sobre a colonização da região Norte e Noroeste com as grandes fazendas cafeeiras de mineiros e paulistas, José Carlos Ferreira atribui ao acordo de Taubaté, em 1906. O acordo não permitia o aumento da produção da cafeicultura em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Isso inibiu os grandes produtores. Como alternativa, saíram de seus Estados e vieram colonizar os sertões paranaenses.





