‘Londrina foi a primeira cidade do interior do País com menos de 5 mil habitantes a ter aparelho de raio-X e também laboratório de análises clínicas.’’ A afirmação é do professor Herman Iark Oberdiek, docente de Ciências Humanas há 20 anos no curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e faz parte do livro ‘‘Serviços Médicos em Londrina (1933 a 1971)’’, que será lançado hoje à noite.
  O trabalho é resultado de sua tese de doutorado em História, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis, no interior de São Paulo. ‘‘Como docente eu teria que falar um pouco sobre como é o trabalho dos médicos na sociedade, que se dá através dos serviços que a sociedade disponibiliza. Dizem que a Saúde em Londrina tem uma característica exclusiva da cidade, que é alternar momentos de sucesso e crises. Fui atrás disso para saber se era assim mesmo’’, explica.
  No livro o professor conta como desde 1933 foram construídas as instituições de serviço de atendimento médico e qual foi a reação dos médicos com esse serviço, como e quando foi construída a Santa Casa e o Hospital Evangélico - criados primeiramente para atender a população carente, até a fundação da primeira cooperativa de médicos, a Unimed. Também é citada a criação do primeiro hospital particular do município e dos consultórios particulares.
  Sobre os avanços tecnológicos que desde cedo fizeram parte do dia a dia dos londrinenses, Oberdiek explica a motivação decorreu não apenas do volume de dinheiro que circulava na região. Na década de 1920 foram criados mais sete cursos de medicina, que passaram de três, para dez. ‘‘Nos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, já tínhamos profissionais. Os recém-formados precisaram buscar outros campos e vieram para Londrina e parsa o interior de São Paulo. Eles trouxeram o que haviam aprendido nas faculdades modernas. Por ter sido criada para ter força regional, até os primeiros médicos criaram todo um sistema de serviço para servir a região como um todo’’, justifica.
  Em seus 20 anos de docência, o professor Oberdiek lembra que há uma supervalorização da carreira de medicina, mas adverte que ser médico não é fácil. ‘‘Há um voto ético de responsabilidade e compromisso, sua responsabilidade é muito maior do que se imagina. Ele lida com pessoas vulnerabilizadas pela doença e isso é pesado na vida do médico. Tento mostrar para os alunos essa responsabilidade. Tenho encontrado alunos fantásticos, que não só amam o que se propõem a fazer como são médicos de alma. Para ser um bom médico é necessário ter a parte técnica, a parte humana e também a prática’’, finaliza.
SERVIÇO
O lançamento do livro ‘‘Serviços Médicos em Londrina (1933 a 1971)’’, da Eduel, será às 20 horas, na Associação Médica de Londrina, à Avenida Harry Prochet, 1055. Valor: R$ 40.

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