Fechados em período recente de oito anos, dois hotéis continuam a ser referências concretas - os prédios originais permanecem - e lembrados pelas histórias: o Berlim foi o maior de Londrina e o Sahão Palace, inicialmente denominado São Jorge, um dos mais modernos do País. O Berlim chegou aos 60 anos e o Sahão completaria o cinquentenário se não fosse atingido por uma ''divergência familiar'' que determinou seu fechamento, em 8 de agosto de 2002.
Não há um projeto para o prédio do Berlim, segundo os proprietários. Já o Sahão ''está adormecido, tomou um anestésico e voltará, este é o meu sentimento'', afirma Sônia Sahão, fazendo presumir uma convergência familiar que anularia a ''divergência'', mencionada pelo tio José Sahão, cuja expectativa é desalentadora: ''Não há concordância entre as partes''.
O hotel é objeto de ações judiciais que se prolongam desde a década de 1970, envolvendo a liquidação de Comércio & Indústria Sahão S.A., uma sociedade familiar em que os herdeiros são acionistas e divergem quanto ao patrimônio.
Diante de tudo isso, a estratégia de Sônia não está explícita, mas o tom é otimista. ''Já estamos conseguindo. Tenho certeza de que os meus tios, os meus irmãos, meus primos e eu vamos, brevemente, cortar a fita de reinauguração do hotel, no qual fui batizada'', resume.
Sônia e o São Jorge Hotel ''nasceram juntos'', há 58 anos. Mais de 500 convidados presenciaram a inauguração, em 29 de novembro de 1952, e no encerramento, por volta das 20 horas, o padre Elias Kerbaui batizou Sônia, sendo padrinhos a avó materna, Alia, e o cônsul do Líbano, Naim Amioune.
Nos primeiros cinco anos desde a inauguração, o serviço de hotelaria do São Jorge pertenceu a Elias Tarran, mediante pagamento de aluguel do prédio. Tarran transferiu o negócio a Emil Farah e Miguel Buffara, sucedidos pela Rede de Hotéis Gávea. Só em 1983 alguém da família Sahão assumiu o serviço, José, o filho mais novo de Salim. Na impossibilidade de retomar o nome São Jorge Hotel, registrado por outra empresa na Junta Comercial do Paraná, surgiu o Sahão Palace.
Segundo José Sahão, o hotel ''está montado'', em condições de funcionar, o que atribui a investimento seu em reformas e ampliação; o antecessor, que deixara de pagar aluguel, não fazia a manutenção, ''detonou o prédio''. O fechamento resultou de uma ação judicial que ainda não terminou. Um dos oponentes, o irmão mais velho, Michel, declarava-se o único sócio remanescente da empresa proprietária, pois haviam morrido o pai e dois tios. Michel, pai de Sônia, morreu em 1999.
José diz que, desejando preservar a tradição e ''honrar o nome da família'', pensou em alugar outro prédio para instalar o hotel, o que não muda o seu pensamento de que o ideal ainda é o edifício próprio. E a família tem gente especializada no ramo, observa, referindo-se a Sônia.
''Errei inúmeras vezes'', disse Sônia em relação ao impasse familiar, considerando que trabalha há 30 anos com hotelaria, é titular de uma empresa de assessoria e marketing interagindo com dez estabelecimentos no exterior, mas ausente de Londrina. Ela mora em São Paulo e falou, para esta reportagem, um dia antes de viajar ao sul da França. ''Temos um patrimônio e o que tem de haver é um pouco de amor entre as pessoas,'' prosseguiu. ''Reabrir o hotel será, também, um ato de responsabilidade social, pela criação de empregos num momento em que o setor cresce, despontando novas escolas de hotelaria'', acrescentou Sônia.

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