Em 1929, o sapateiro Dionísio Pisa, 21 anos, esperou quatro meses para dar o primeiro beijo no rosto da namorada Lina Murara, da mesma idade. Os encontros eram vigiados por um primo da moça. A paciência do sapateiro resultou em casamento que completou 72 anos em fevereiro passado. Eles se conheceram em Blumenau (SC), mas desde a década de 60 estão radicados em Curitiba.
No próximo sábado, a história matrimonial do casal Pisa volta a ser lembrada numa festa organizada por familiares. Modestos, Lina e Dionísio não querem ser vistos como exceções nos dias de hoje. Segundo ele, as horas difíceis da vida a dois devem ser preenchidas com diálogo capaz de superar os erros. ‘‘Para ter uma vida assim, você precisa conversar, ter muito amor e perdoar sempre’’, diz Dionísio.
Uma das oito filhas do casal, Leonir Terezinha Pisa, 59 anos, atesta. ‘‘Acho que nenhuma de nós foi testemunha de um bate-boca entre eles.’’ A mãe confirma: ‘‘Ele sempre foi muito bom para mim.’’ Lina conheceu Dionísio na casa de um dos tios, que a adotaram depois que os pais morreram. O jovem sapateiro precisava de uma sala para trabalhar e alugou o espaço na própria residência da família Murara.
O amor foi se manifestando na troca de olhares. ‘‘Da sala dele, o Dionísio sempre me via trabalhando na cozinha’’, recorda Lina. Apesar da proximidade com a futura mulher, Dionísio diz que sempre respeitou as regras da casa. Depois de 10 meses de namoro e alguns beijos comportados no rosto, ele pediu a mão de Lina em casamento. ‘‘Fui falar com o tio dela, que aceitou a nossa união.’’
Com 19 netos e outros 19 bisnetos, Lina e Dionísio dizem que a satisfação em suas vidas foi dar escola para as oito filhas. ‘‘Quem tem família, precisa se preocupar com a educação para os filhos’’, diz Dionísio. Impressionado com o fenômeno da globalização, ele diz que o cidadão do futuro precisa ser um poliglota. ‘‘Tem que falar no mínimo três línguas para se virar nesse mundo.’’

mockup