Se o nome da rua identifica um local da cidade, por que a Câmara Municipal estaria descaracterizando e tentando apagar parte da memória e história dos locais? A pergunta é feita pela comerciante Valéria Geronasso, moradora do bairro Boa Vista, onde sua família vive há 128 anos, formando um clã com 3 mil pessoas na região. A indignação tem motivo. Perto de onde mora, Valéria viu a rua onde viveu sua avó, Cecília Blanchet Geronasso, tornar-se José Correia, e o Bosque do João passar a se chamar Bosque Martinho Lutero.
As mudanças acontecem porque não é todo dia que surgem novas ruas. Assim, a alteração de nomes antigos também entra na cota de proposições dos vereadores, que têm direito de apresentar três projetos de lei por ano para imortalizar alguém dando seu nome a uma travessa, avenida, rua ou praça. Como são pouco mais de 33 vereadores, o número de novos nomes pode chegar a quase 100. Pelo trabalho exaustivo de batizar esses trechos, na Secretaria Municipal de Urbanismo formam-se às vezes pequenos estoques de placas, que não têm local para ser afixado.
‘‘Se não tem espaço, deve-se ter cuidado em respeitar a memória da nossa cidade’’, sugere Valéria. A rua Cecília Geronasso, conta a comerciante, era parte de uma grande fazenda onde vivia a família de imigrantes. ‘‘Tempos atrás, a prefeitura pediu permissão para abrir uma travessa num trecho do terreno, onde ainda hoje está um pinheiro centenário, que deu sombra para vovô’’, diz.
Agora, a família Geronasso quer que a Câmara volte atrás nas suas propostas. ‘‘Por anos, os Geronasso lutaram para construir um bairro importante da cidade e vamos continuar lutando para mantermos a memória de nossa família viva’’, avisa.

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