Catorze anos atrás, um grupo de crianças caigangues da Reserva Indígena do Apucaraninha cantava o Hino Nacional para centenas de pessoas. Era o ponto alto da cerimônia de inauguração da revitalização do Calçadão, no trecho entre as ruas Hugo Cabral e João Cândido, na Área Central de Londrina. Os indiozinhos foram um dos primeiros artistas a apresentarem-se no Coreto, obra considerada de destaque e ''inspirada nas antigas cidades do interior'', de acordo com reportagem da Folha de Londrina publicada na época.
O Coreto teve uma história curta, porém rica em polêmicas sobre o uso do espaço cultural. Ontem, as marretas dos funcionários da Secretaria Municipal de Obras deram fim à construção. A reação das pessoas que passavam pelo local variava entre a indiferença e a indignação.
A retirada foi definida em reuniões entre representantes da prefeitura, lojistas e moradores da área. A principal alegação foi o uso do espaço como ''mocó'' durante as noites. De acordo com a Secretaria de Obras, a demolição é apenas uma parte do projeto de revitalização de parte do Calçadão.
A obra completa deverá abranger renovação do mobiliário (bancos e lixeiras), reforma do banheiro da Praça Marechal Floriano Peixoto e fechamento de outros dois, colocação de fiação subterrânea, podas e troca de árvores para melhorar a iluminação e a limpeza da área. As ações fazem parte de um amplo projeto de revitalização, que incluiu a reforma da praça e a retirada dos artesãos do local.
''Este projeto de revitalização está sendo desenvolvido em diversas etapas. Inclusive será feita a revitalização da Concha Acústica, que já pode abrigar manifestações culturais'', afirmou o secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas.
Para as autoridades municipais, o Coreto não chegou a ter expressão histórica. Foi inaugurado em 6 de setembro de 1991, com a apresentação de bandas, corais e discursos políticos. Na época, o custo das obras de revitalização do trecho foi de Cr$ 58 milhões. O modelo, segundo o secretário municipal de Cultura, Luciano Bittencourt, era inadequado para apresentações artísticas.
''Desde a inauguração, foi pouquíssimo utilizado. É alto e claramente feito para comício. Bate sol o tempo todo. Não é um espaço onde as pessoas possam interagir. É quase um anti-coreto. Acho que fica melhor sem o coreto do que com ele'', opinou Bittencourt.
As autoridades só parecem divergir quanto à construção de um novo. Enquanto Freitas descartou a reconstrução, Bittencourt disse que a colocação de um novo coreto na Área Central está em fase de estudo.

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