História corre o risco de ficar debaixo dágua
O futuro represamento do Rio Tibagi, na região das reservas indígenas Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Londrina); Apucaraninha, em Londrina, e Mococa, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), pode destruir sítios arqueológicos ainda inexplorados. O alerta é do técnico agrícola da Funai na reserva do Apucaraninha, Ferdinando Nesso Neto.
Se formos investir na área, poderemos encontrar resquícios de uma comunidade com mais de 3 mil anos. Os índios sempre viveram na região e o rio era a estrada deles, ressalta. Contrário aos projetos da Copel, Neto diz que o eventual represamento do Tibagi afetará um cânion pouco valorizado, mas que tem beleza e importância caso venha a ser estudado.
O técnico da Funai lamenta ainda que inúmeros saltos e corredeiras serão prejudicados, entre eles o Salto Apucaraninha, um cartão postal da região, e de rios como o Apucarana Grande, em Ortigueira. O represamento destes rios vai trazer problemas futuros, como doenças. Segundo Neto, com o represamento o Apucarana Grande ficará com águas paradas e poderá virar foco de doenças.
Neto destaca ainda que peixes tradicionais de corredeira, que no Paraná existem basicamente no Tibagi e Rio Piquiri, poderão desaparecer. Como vivem de corredeiras para desovar e queimar gorduras no período da piracema, nem a construção de escadas para as represas poderá eliminar esse risco, conforme o técnico. Os peixes podem até subir estas escadas, mas ficarão em águas paradas, o que não será suficiente para a desova. (A.S.)





