Às margens do calçadão de 1.300 metros de comprimento, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) conserva monumentos de alto valor histórico e cultural. Para olhos atentos, um passeio pelo local revela construções antigas e obras de arte fruto de doações feitas à instituição, como o painel produzido pelo artista João Ponti em comemoração aos 25 anos de Londrina. A pintura em azulejos foi restaurada por alunos e professores da universidade em 1981 e instalada em frente à Biblioteca Central.
Atualmente, o calçadão se estende do prédio do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) até o Centro de Ciências Biológicas (CCB). Logo após o Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) fica a Capela Ecumênica, uma réplica da primeira Catedral de Londrina, construída em 1934. No campus, a construção de madeira data de 1997 e, atualmente, abriga exposições itinerantes.
Em frente à capela está a Casa do Pioneiro, uma moradia de madeira da década de 1940 que foi transportada da Rua Goiás para o campus da UEL em 1996. A reconstrução preservou até mesmo as cores verde e laranja da casa original e, por dentro, vemos móveis da época, como um fogão a lenha e uma geladeira antiga.
Atualmente, a casa abriga o Inventário e Proteção ao Patrimônio Cultural de Londrina (IPAC/LDA). A museóloga Gina Issberner diz que o espaço recebe estudantes, visitantes de fora de Londrina e muitos turistas. "A gente oferece ao visitante uma viagem no tempo. Todos têm um referencial da casa da mãe, da avó", comenta.
Continuando a caminhada pelo calçadão, um muro pintado de vermelho chama a atenção. Trata-se do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa, que esconde um legítimo jardim nipônico em seu interior. A diretora do núcleo, Estela Okabayashi Fuzii, conta como ocorreu a criação do jardim.
"Eu pensava: os professores dão aula de língua e cultura japonesa projetando imagens e a gente tem espaço aqui para um jardim. Procurei em universidades do Brasil para ver quem tinha feito, mas não achei", relembra ela. Foi em uma conversa com um amigo engenheiro, ex-aluno da UEL, que a professora conseguiu viabilizar o projeto, inaugurado em junho de 2014.
"Conversando com ele descobri que era especialista em jardim japonês", conta. O apoio de Luís Omoto foi essencial para a viabilização da obra, segundo Estela. O objetivo do jardim é ser local de contemplação e meditação sobre os elementos essenciais da vida. No pequeno espaço de 25 metros quadrados, toda a simbologia de um legítimo jardim japonês está apresentada, nas pedras – que representam a água, sinal de vida -, nos troncos - representações dos pais - e nas pedras, que simbolizam as gerações da família.
A poucos metros do CCB, onde termina o calçadão, podemos ver outra casa de madeira antiga, que abriga o Laboratório de Paisagem pelo Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU). A pequena moradia, construída em 1952 pela família pioneira Hirazawa, ficava localizada na antiga Chácara Agari, centro de Londrina, e foi transplantada para o campus em 2012.
Próximo à casa se localiza o Bosque dos Pioneiros, implantado no mesmo ano por estudantes da primeira turma de medicina da UEL, que completava 40 anos à época. Tudo isso pode ser observado ao ar livre, sem custo nenhum. Basta um pouco de ânimo para atravessar o calçadão.

História a céu aberto
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