Um grupo de descendentes de escravos - cerca de 700 pessoas - vive uma verdadeira saga em busca da liberdade, que, para eles, significa o direito a terras herdadas na região de Guarapuava, no Centro-sul do estado.
  Essa história começou por volta de 1860, quando 11 escravos herdaram, da fazendeira dona Balbina Francisca Siqueira, mais de 3,6 mil alqueires. Hoje, o direito dos descentes é reconhecido pela Fundação Cultural Palmares, que recentemente certificou a chamada Comunidade Paiol de Telha como uma quilombola, por reunir descendentes de escravos.
  Várias expropriações das terras herdadas pelos negros levaram alguns dos descendentes da comunidade a viverem em favelas na região de Guarapuava. Um erro histórico também empurrou um grupo remanescente para o assentamento batizado com o nome da antiga área, Paiol de Telha, a 26 quilômetros de Guarapuava, tratando-o como sem-terra.
  A história, contada em uma série de reportagens pelo jornalista Francismar Lemes, revelou a saga de famílias que, ao perderem a terra e o legado cultural dos ancestrais, não desistiram de reivindicar o chão onde os lastros de parentesco e compadrio foram semeados, garantindo a sobrevivência dos descendentes no ‘‘exílio’’.
  Nas reportagens, conhecemos novos lideres quilombolas e os passos que a certificação da Fundação Palmares deu no processo de devolução das terras, como esperam os herdeiros da Invernada Paiol de Telha, entre os quais personagens como seo Geninho, Sílvio e dona Ondina, para quem a liberdade se mistura com o sentimento de saudade.

Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.

Entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura instituída em 1992, cuja finalidade está em promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira.

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