Os hippies fizeram ontem proposta de mudança para um imóvel na região central de Londrina e receberam autorização para permanecer mais uma semana em frente ao Cine Teatro Ouro Verde, no Calçadão. Com o início da reforma na Praça Floriano Peixoto, os artesãos foram transferidos de maneira provisória. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) determinou a retirada de artesãos e vendedores ambulantes de áreas públicas da cidade. O prazo inicial para saída dos hippies do Calçadão venceria ontem.
''Como fizeram uma contra-proposta e voltamos a negociar, a CMTU concordou em estender o prazo por mais uma semana'', afirmou o assessor de relações comunitárias da companhia, Carlos Xavier. O hippie Paulo César Pereira, 31 anos, declarou que a idéia é alugar um imóvel com preço acessível aos artesãos. A localização não foi revelada para evitar especulação com o aluguel.
A proposta será encaminhada ao presidente da CMTU, Wilson Sella. De acordo com Pereira, a companhia deverá ainda hoje agendar uma reunião para discutir ''detalhes da proposta''. ''A pressa é deles. Para nós, é vantagem ficarmos na rua enquanto negociamos'', afirmou. Para montar o Centro de Referência do Artesanato (Cereal), a prefeitura fez um acordo com os artesãos e se comprometeu a pagar o aluguel do imóvel por um ano. Pereira disse acreditar que uma condição semelhante pode viabilizar uma sede para os hippies.
O chefe da fiscalização da CMTU, João Arruda, garantiu que os hippies não terão problemas com os fiscais para confeccionar e expor seu artesanato em frente ao Ouro Verde no período. ''Para os outros, artesãos ou ambulantes irregulares, entretanto, a fiscalização continua normal'', salientou.
Além dos hippies, a CMTU removeu os membros da Associação dos Artesãos da Praça Floriano Peixoto (Uniflor) para fazer a reforma no local. Os trabalhadores foram transferidos para o Cereal, instalado em um prédio na avenida Rio de Janeiro, próximo ao Calçadão.
Em 57 boxes, o Cereal abriga integrantes da Uniflor e de outras associações de artesanato da cidade. A presidente Neuza Alves Ferreira, 62, afirmou que os artesãos dos três boxes fechados desde a semana passada deverão ser notificados pela CMTU. Eles teriam abandonado o local para voltar a comercilizar seus produtos no Calçadão, o que é proibido pelo regimento interno. Segundo Neuza, os artesãos foram notificados duas vezes pela diretoria do Cereal. ''Já encaminhei comunicado sobre o abandono para a CMTU. Agora, vou cobrar um posicionamento deles'', destacou.
Xavier afirmou que a CMTU vai se declarar somente após examinar o documento. Os integrantes do Cereal são autorizados por alvará emitido pela companhia municipal. Os faltosos podem até perder a vaga no centro. Vinte artesãos e quatro associações estão na fila de espera por um box no Cereal.

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