Hippies burlam CMTU e voltam a expor produtos na rua
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Depois de inúmeras reuniões e nenhum acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, os hippies que atuavam na Praça Floriano Peixoto (Área Central) deram um jeito de burlar a proibição da companhia de comercializar produtos nas ruas. Eles ocupam agora escadarias, garagem e canteiros de um prédio desocupado na esquina das ruasa Minas Gerais e Maranhão, também na Área Central.
Como a entrada da garagem e as escadarias não são parte da calçada, a CMTU não teria jurisdição para impedir o comércio. Contudo, o grupo, iniciado timidamente com os cinco hippies, cresceu e já chega hoje a mais de dez pessoas. Além dos panos com as bijouterias artesanais, há roupas, cintos de couro e artesanato em madeira.
Com o acréscimo de artesãos, parte da calçada está sendo utilizada. Já com intuito de evitar tomar o espaço público, alguns estão expondo o material em um canteiro do prédio. Conscientes do problema, os hippies que estavam com o material sobre a calçada não quiseram dar entrevista, alegando que a reportagem poderia trazer problemas.
O artesão Paulo César Pereira, que ocupa a entrada da garagem do prédio, afirmou ter ciência que o espaço é provisório. ''Se o prédio for vendido estamos fora novamente'', disse. Segundo ele, os hippies praticamente desistiram de negociar com a CMTU. A companhia assumiu responsabilidade de auxiliar na locação de um imóvel para abrigar o grupo. ''A gente meio que se desinteressou. Fica muito difícil para pagar um aluguel no centro, além disso nosso comércio é de rua'', afirmou.
Além dos hippies, a área está sendo ocupada por artesãos descontentes com o baixo movimento do Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal). José Elias Merinho, 50 anos, que talha chaveiros, placas e pequenos quadros em madeira é um deles. Segundo ele, com a mudança para o Cereal, as vendas reduziram quase 90%. ''Ali é muito fraco, eles tinham que mudar o sistema'', comentou o artesão.
Segundo o presidente da CMTU, Wilson Sella, a posição da companhia continua a mesma. ''Eles têm que encontrar um espaço particular se querem manter esse estilo de vida. A rua não é lugar de comércio'', reinterou. Segundo ele, a CMTU não vai interferir com os hippies instalados nas áreas privadas do prédio, mas vai coibir a ocupação das calçadas.
A polêmica dos hippies começou em novembro do ano passado, quando foram desalojados da Praça Floriano Peixoto junto com os demais artesãos. Sem participação no Cereal, eles passaram a comercializar produtos no Calçadão até proibição total em fevereiro.


