Ele é magro, aparenta 25 anos, tem entre 1,60m e 1,65m de estatura, pele clara, olhos castanhos e cabelos escuros. Essa é a descrição do novo retrato falado do rapaz que sequestrou a menina Luana Oliveira Lopes, de 8 anos, no último domingo, no município de Prado Ferreira (53 km ao norte de Londrina). O desenho foi elaborado ontem pelo Instituto de Criminalística de Curitiba com base no exame de hipnose a que foi submetido o irmão da vítima, Diego Oliveira Lopes, 10, no período da manhã.
O delegado da Polícia Civil de Porecatu, Edú Furtado Filho, que acompanhou o garoto, conta que apesar de o resultado não ser dos mais surpreendentes, vai ajudar bastante nas buscas pelo interior do Estado e nas regiões que fazem fronteira com o Estado de São Paulo. ''Pela descrição de Diego, trata-se mesmo de um caminhão pequeno, de cor azul. A novidade para nossas investigações é a confirmação de que é mesmo um baú pequeno e sem nenhum letreiro, assim como a cabine'', apontou.
No exame, realizado pelo médico Rui Sampaio, Diego disse ainda que a frente do veículo era achatada, o que permite mais uma pista. ''Tudo indica que é um caminhão Volkswagen, ou, mais provavelmente, um Mercedez modelo 608'', completou o delegado.
Além disso, o menino esclareceu que a rota do motorista era no sentido Prado Ferreira/Florestópolis e confirmou o que havia dito no depoimento à polícia: a primeira pergunta feita a ele e a Luana foi quem era o patrão do pai deles, o agricultor Sérgio de Oliveira Lopes, de 29 anos. A pessoa em questão é o prefeito de Prado Ferreira, Aristides de Caires (PSDB). A família mora na fazenda do prefeito, em Florestópolis.
Para o delegado-operacional da 10 Subdivisão da Polícia Civil (SDP) de Londrina, Sérgio Luiz Barroso, pelo depoimento do menino foi possível identificar outras intenções do sequestrador. ''Ele queria matar o Diego, que desmaiou de verdade após chutes no rosto, pauladas na cabeça e uma tentativa de estrangulamento'', afirmou. Após um tempo indefinido em que ficou desacordado, ele foi se arrastando até a rodovia, distante a quase um quilômetro dali, e foi socorrido. ''Tendo em vista o fato de o motorista estar seguindo viagem, ter recuado e perguntado quem era o patrão dos pais, até a hipótese de vingança pode ser levantada'', analisou. O prefeito Aristides de Caires foi procurado pela Folha, mas não foi localizado até o fechamento desta edição, ontem à noite.
O delegado de Porecatu informou que as buscas foram intensificadas com a ajuda de quatro postos de pedágio da região. ''Os postos de Mandaguari, Arapongas e Jataizinho estão nos enviando as imagens em CD-Rom captadas pelas câmeras locais. Isso vai ajudar a investigação'', concluiu.

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