A hipnose poderá ajudar na solução de crimes e ser aceita como prova em juízo. Até agora a técnica era usada informalmente e servia apenas como subsídio para a solução de crimes.
Com o laboratório de Hipnose Forense, inaugurado ontem, no Instituto de Criminalística do Estado, o trabalho passa a ser oficial e as informações ficam reunidas em laudos.
Segundo o diretor do Instituto de Criminalística, Antoni Vaz Siqueira, esse é o primeiro laboratório especializado em hipnose forense do mundo. Em outros países, a técnica é usada informalmente.
A hipnose é indicada em casos de vítimas que sofreram trauma emocional, como estupro e sequestro, principalmente. ‘‘Nos casos de estupro, 30% das vítimas não conseguem relatar o que ocorreu’’, disse o coordenador do laboratório, o médico Rui Salomão. Com a hipnose, o profissional consegue resgatar a memória do paciente e produzir o retrato falado do acusado, além de colher outras informações.
Em 14 anos de trabalho, Salomão usou a hipnose para ajudar mais de 100 casos. Hoje, atende cerca de oito a 10 casos por mês. No Paraná, a técnica está ajudando na investigação do assassinato de um dos sócios do Café Itamaraty, Júlio César Marino, ocorrido há um ano, em Londrina.
No Piauí, o assassinato do ex-prefeito da cidade de Padre Marco, Francisco Luís de Macedo, foi solucionado em 1989 a partir do retrato falado obtido por hipnose de uma testemunha.
Em 90% dos casos, o médico consegue todas as informações já na primeira sessão. O tempo depende de cada pessoa. ‘‘Algumas entram em transe em cinco minutos, outras podem demorar até uma hora’’, afirmou Salomão.
Na sala principal do laboratório só ficam médico e vítima. A família, o advogado e o desenhista acompanham na sala de espelho, onde não são vistos.
Um equipamento de som permite que eles saibam o que está sendo dito na outra sala. A conversa é gravada para ser consultada posteriormente ou anexada ao processo, se o juiz determinar.
Quando as vítimas estão tensas, o médico usa um software que tem uma música de fundo que ajuda a induzir o transe. Além disso, um óculos com ponto de luz é usado para diminuir as ondas cerebrais e relaxar a pessoa.
Salomão disse que é fácil saber quando a pessoa está em transe. As mãos e o rosto ficam pálidos, as extremidades das mãos ficam frias, a cabeça tende para o lado ou para frente e pode haver tremores nos lábios e nas pálpebras.Mauro FrassonRui Salomão, induzindo ao transe: hipnose é indicada em casos traumáticos, como estupro e sequestro, e ajuda a fazer o retrato falado do agressor. Em 90% dos casos, o médico consegue todas as informações já na primeira sessãoAnna Camanducaia

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