SUPERANDO PRECONCEITOS
Hipnose conquista mais pacientes
Mauro FrassonA vendedora Milena da Silva faz sessões de hipnose para curar depressão. ‘‘Hoje estou mais equilibrada emocionalmente’’, diz ela.

Rubens Burigo Neto
De Curitiba

A hipnose está superando preconceitos entre os médicos e conquistando cada vez mais pacientes interessados em combater a dor e as síndromes de fundo emocional. ‘‘Antes a hipnose era usada como terapia coadjuvante. Como o conceito da técnica evoluiu muito nos últimos 20 anos, a hipnologia, em alguns casos, está sendo utilizada como terapia principal na cura de alguns males’’, revelou o médico ginecologista e obstetra, especialista em hipnologia, Reginaldo Figueroa. Neste final de semana, ele coordena um curso, em Curitiba, aberto ao público, sobre hipnose e os resultados eficazes que a terapia pode atingir.
A hipnose é uma ilusão imposta ao cérebro por meio de técnicas de susgestão, provocando um estado alterado de consciência (transe). Depois de ter sido muito usada no passado, para evitar a dor, a hipnose perdeu prestígio com o surgimento dos medicamentos analgésicos. Atualmente vem sendo bastante utilizada no tratamento de depressão, ansiedade, fobias e traumas. ‘‘É um absurdo acreditar que as pessoas hipnotizadas podem fazer qualquer coisa, orientadas por quem as hipnotizou’’, criticou Figueroa.
O médico também disse que faz parte do folclore pensar que as pessoas podem perder a memória depois do período do transe ou ser hipnotizadas pelo movimento de pêndulos e outros objetos. O tratamento não é indicado às pessoas que tenham depressões graves ou psicóticos com mudanças bruscas de comportamento. Figueroa informou que o Brasil está entre os países que mais estudam a hipnologia, junto com os Estados Unidos e a França.
A vendedora de carros importados Milena Cristina da Silva, 26 anos, está fazendo sessões de hipnose para curar depressão. Milena disse que depois dos 20 anos passou a identificar o problema. Ela contou que tinha sono excessivo, alimentação irregular e, por ser ‘‘pavio-curto’’, estava prejudicando suas relações profissionais.
Milena chegou a fazer tratamentos psicoterapêuticos e, apesar de se dizer descrente na eficâcia da hipnose, aceitou a sugestão de uma amiga e fez a primeira sessão há cinco meses. ‘‘Depois do tratamento, estou me mantendo mais controlada emocionalmente e tenho mais clareza sobre as situações que estou enfrentando’’, revelou.

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