Hipertensão e diabetes são os vilões dos rins
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Como faz habitualmente, José Airton de Oliveira, 51 anos, levantou cedo ontem, para ir a mais uma sessão de hemodiálise no Instituto do Rim de Londrina. Portador da doença renal crônica, em decorrência da hipertensão, ele convive com o tratamento há seis anos e garante já ter se acostumado aos rins artificiais, que filtram seu sangue por quatro horas ininterruptas em três dias da semana.
''Há dez anos senti os primeiros sintomas da doença, mas fugi. Só em 2004, quando tive uma crise bem aguda, resolvi procurar o médico'', contou Oliveira. ''Achei que minha vida tinha acabado, mas depois que iniciei a hemodiálise, descobri que poderia ter uma vida normal'', comentou o paciente, que está na fila de espera por um transplante de rim. ''Tem dia que o astral é baixo, mas a gente busca dentro de si uma força para continuar vivendo.''
Para o nefrologista Anuar Michel Matni, o rim é um dos órgãos mais importantes do corpo, senão o principal. ''É um órgão com o qual não se pode viver sem, mas ao mesmo tempo, é possível sobreviver com apenas meio rim'', informou o médico.
Ele citou que ontem, mais de cem países celebraram o Dia Mundial do Rim, idealizado em 2006 com o objetivo de conscientizar a população mundial sobre a saúde dos rins. Conforme Matni, o Brasil tem hoje cerca de 2 milhões de portadores de doença renal crônica, número que cresceu principalmente nas últimas duas décadas. ''O País investe cerca de R$ 1 bilhão por ano em 80 mil pacientes em hemodiálise, 5 mil em diálise peritoneal ambulatorial contínua e 36 mil transplantados.''
Alerta
Matni assinalou que os indivíduos com maior risco de desenvolverem uma doença renal são os hipertensos, os diabéticos, os idosos, os obesos, pessoas com histórico familiar e portadores de doença cardiovascular. Manter em dia exames periódicos de urina e sangue e controlar a hipertensão são as principais maneiras de prevenir doenças renais. ''O bom funcionamento dos rins é vital para a saúde do corpo, pois eles removem os resíduos do corpo pela urina, eliminam toxinas do sangue e excesso de água corporal, ajudam na regulação da pressão arterial, equilibram o metabolismo de nutrientes, produzem hormônios e participam da produção de células sanguíneas vermelhas.''
Segundo Matni, a doença renal crônica não apresenta sinais nem sintomas nas fases iniciais, o que retarda o diagnóstico. Por isso, exames de urina e creatinina devem ser realizados anualmente, em homens e mulheres com mais de 50 anos. ''A creatinina é o principal marcador de que o rim não está filtrando. Quando o índice dessa substância aumenta no organismo, significa que o rim não consegue jogar os resíduos fora.''
Entre os sinais da doença estão pressão arterial elevada, inchaço da face e dos tornozelos, aumento da frequência urinária à noite, palidez, cansaço, falta de apetite, emagrecimento e enjoo e vômitos pela manhã.
O nefrologista lembrou que crianças com má formação congênita dos rins ou pessoas que sofrem de infecções podem desenvolver nefrites, quando ocorre a inflamação do órgão. Uso desenfreado de medicamentos como anti-inflamatórios e antibióticos também pode comprometer a filtração do sangue.
Transplante
Segundo o nefrologista, portadores de doença renal crônica precisam de sessões semanais de hemodiálise para sobreviver, mas em casos de pacientes mais jovens, os médicos recomendam o transplante. Só no ano passado, foram realizados 30 transplantes pelo Instituto do Rim de Londrina.
Matni citou que o doente do rim não pode tomar mais que um litro de líquidos por dia e deve viver sob uma dieta rígida, que inclui restrição de sal, potássio e proteínas. ''A doença sempre acomete os dois rins, mas com o tratamento, é possível viver uma vida normal, inclusive trabalhar, se o serviço não for pesado.''
Ainda conforme Matni, além da doença crônica e das nefrites, existem os cálculos renais, que são eliminados em até 80% dos casos. ''Mas é importante investigar por que o corpo fabrica tanta pedra, se pode ser excesso de ácido úrico ou eliminação de cálcio, por exemplo'', disse.


