Hipertensão e diabete podem prejudicar os rins
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terça-feira, 10 de março de 2009
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Silenciosa, a doença crônica dos rins não apresenta sintomas de seu desenvolvimento e em muitos casos está relacionada a outros problemas de saúde, principalmente hipertensão arterial e diabete, responsáveis por 60% dos casos. Os demais são referentes a problemas genéticos, inflamações ou causas desconhecidas. Quando identificadas precocemente, elas reduzem a complicação da doença e facilitam o tratamento.
Aproximadamente 15% dos brasileiros apresentam problemas renais e 70% deles não sabem do diagnóstico. Isto acontece devido à ausência de sintomas no estágio inicial da doença, que só se manifesta quando está instalada e já compromete 80% dos rins. ''Quando tem sintomas o quadro é tardio'', alerta a gerente-geral da Fundação Pró-Renal Brasil, Anelise Marcolin.
No mundo, as doenças do rim afetam um terço da população e um levantamento realizado em 2004 pela Sociedade Brasileira de Nefrologia apontam 3,2 mil pacientes renais no Paraná.
Para identificar o problema renal, as pessoas precisam ficar atentas a sintomas como alteração na coloração da urina e na frequência urinária, ardência para urinar, tonturas, enjoos, mal estar geral e anemia. As principais formas de evitar o desenvolvimento da doença é a verificação periódica da pressão arterial e exames que medem o nível de creatinina no sangue, além de alimentação adequada e prática de exercícios físicos. O tratamento da insuficiência renal é feito a partir de medicamentos ou pela diálise e transplante, que têm valores altos e reforçam a necessidade de diagnóstico precoce.
A hipertensão prejudica o funcionamento dos rins quando deixa os vasos sanguíneos dos órgãos mais espessos e rígidos, o que torna a função renal insuficiente, podendo chegar à insuficiência total. A insuficiência renal inibe a filtragem dos elementos prejudiciais ao corpo, que sobrecarrega o coração e consequentemente interfere na pressão arterial, como em um ciclo que pode resultar na morte por doença cardiovascular.
A hipertensão arterial foi a causa dos problemas renais diagnosticados em outubro do ano passado na jovem Daianye Aparecida May, 19 anos. As fortes dores de cabeça e enjoos constantes a fizeram passar por diversas especialidades antes de iniciar seu tratamento de diálise. ''Ninguém descobria a causa. Era uma dor de cabeça que não passava e achava que era o stress, estava trabalhando muito na época'', lembra a fiscal de caixa de supermercado.
Os dois rins de Daianye foram prejudicados e ela aguarda pelo transplante enquanto passa pela diálise durante nove horas por dia. Ela faz o tratamento em casa e a diálise acontece enquanto a jovem dorme. Uma esperança para a doação vem de sua mãe, que passou por exames para verificar a compatibilidade. ''É muito sofrido'', conta.


