Para as mães, piolho é um mal que dá muito trabalho. ''Já apliquei vários remédios na minha filha, mas não consigo acabar com o danado'', diz a empregada doméstica Regiane Martins, 25 anos. Para as crianças, um inimigo estranho. ''Um dia eu tirei um bicho enorme do meu cabelo. Ele estava comendo a minha cabeça'', conta Fábio Júnior de Souza, de cinco anos.
O fato é que a disseminação do piolho um inseto parasita que se alimenta do sangue do couro cabeludo e se reproduz muito rápido se torna quase inevitável entre grandes grupos de crianças, como aconteceu no centro de educação infantil Antonieta Trindade, no Conjunto Vivi Xavier (zona norte de Londrina). Em abril, as 86 crianças que frequentam o centro foram vítimas de piolhos, segundo a diretora Márcia Denise Miranda. Depois de distribuir medicamentos para as crianças, em parceria com a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro, o número de crianças contagiadas caiu para 15. ''Mas ainda queremos erradicar o problema da escola'', afirma Márcia.
Para atingir essa meta, pais de alunos se reuniram ontem para ouvir orientações de enfermeiras da UBS e levar para casa novas doses de medicamento. A dica de prevenção é uma só: higiene. Banhos diários, casa limpa e roupas bem lavadas e secadas ao sol ajudam a prevenir a disseminação ou o reaparecimento de piolhos entre as crianças. Já para combater os insetos as profissionais recomendam, além de mais higiene, que as roupas de cama das crianças atingidas sejam separadas, e que acessórios de cabeça, como bonés, toucas e chapéus, jamais sejam emprestados.
O tratamento com medicamentos sozinhos, pentes finos têm pouca eficácia é fundamental para que os piolhos não causem mais problemas. ''Se não tratar, podem ocorrer lesões maiores, que se tornam porta de entrada para bactérias'', explica a enfermeira do Programa Saúde da Família (PSF), Genile Ane Tavares. A solução à base de permetrina, distribuída ontem para os pais, só é contra-indicada para bebês, uma vez que possuem o couro cabeludo muito sensível. Nestes casos, e também nos mais graves envolvendo crianças mais velhas, a melhor solução ainda é aparar os cabelos.

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