Hidroterapia amplia atendimento em escola
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Sou mãe, não acho difícil cuidar dos meninos.'' Frase simples, mas que retrata uma sinceridade inesperada de uma mãe que convive há 18 anos com três filhos portadores de distrofia muscular progressiva. Dificuldades no andar, no falar e dependência para tudo representam nada perto da alegria de viver que o olhar e o sorriso constante nos lábios dos rapazes confessam a quem tem a sensibilidade de enxergar.
Dieferson Alexandre, 18, Jackson Julio, 15, e Alisson Sergio, 13, são os filhos da dona de casa Marcia Cristina da Silva Lopes José, 37. São eles que irradiam felicidade diariamente, durante as aulas na Escola de Educação Especial Flávia Cristina, no Conjunto José Giordano, Zona Norte de Londrina. Ontem, em parceria com outros alunos, eles participaram de uma apresentação artística para os pais, em comemoração à ampliação do atendimento clínico às 155 crianças e adolescentes com necessidades especiais que frequentam a instituição.
Criada em 1996 pela fisioterapeuta Helaine Cristina Herrero, a Associação Flávia Cristina oferece não só educação especial para 119 alunos, como atendimento clínico para outros 36 jovens portadores de paralisia cerebral. Hoje a instituição vai inaugurar o setor de hidroterapia, novas salas de atendimento psicológico e a cobertura da quadra poliesportiva.
''Só estava faltando a piscina para completar o tratamento fisioterápico'', constatou a diretora Gelta Alencar, explicando que a ampliação foi custeada com recursos da Justiça Federal, da Sercomtel e da própria associação.
''Somos a única escola de educação especial na Zona Norte de Londrina'', informou Gelta. Conforme ela, a instituição conta, ao todo, com 16 salas, que educam portadores de necessidades especiais com idade entre zero e 21 anos. Trinta e oito profissionais atuam nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, cursos profissionalizantes, além de prestar assistência social às famílias, na maioria, carentes.
É o caso de Marcia e seus três filhos. Vindos do interior paulista, eles começaram a frequentar a escola há dois anos e, segundo a mãe, ''adoram''. ''Procuramos o Conselho Tutelar e fomos encaminhados para cá. Eles gostam de assistir às aulas, se sentem bem aqui'', comentou Marcia, citando que o filho mais velho, Dieferson, nem dormiu à noite, ansioso com a apresentação de dança que faria ontem. Ele mesmo confessou que adora dançar 'calipso', mas que na apresentação para os pais, dançaria funk.
''Você não imagina o que ele é capaz de fazer na cadeira de rodas'', disse a diretora, lembrando que o setor profissionalizante da escola contou com o apoio da família de Marcia, que ensinou o professor a confeccionar tapetes feitos com retalho.
''Os meninos aprenderam quando ainda morávamos em Alvorada do Sul; eles me ensinaram e eu ensinei o professor'', recordou Marcia, que também produz tapetes em casa. Com o marido desempregado, a venda dos tapetes vem a calhar, já que apenas dois dos três filhos recebem pensão do governo.
''Eles têm uma doença genética e a tendência é parar de andar, mas como mãe não acho difícil cuidar deles. E sempre que eles apresentam algum projeto, eu estou aqui para ver'', declarou a dona de casa, feliz da vida, ao lado dos três rapazes sorridentes.


