Hidrelétricas podem inviabilizar captação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 2008
Eli Araujo<br>Equipe da Folha 
Londrina - O Projeto Tibagi, que consiste na captação de água do Rio Tibagi para abastecer as cidades de Londrina e Cambé, pode tornar-se inviável com a construção de usinas hidrelétricas ao longo do rio. A conclusão é do engenheiro civil Fernando João Rodrigues de Barros, presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), após análise dos estudos de impacto ambiental realizados pela própria Copel.
Barros, que é especialista em meio ambiente, lembra que as entidades que se posicionaram contra as usinas no Rio Tibagi apresentaram, até agora, apenas argumentos relacionados ao alagamento de terras indígenas ou aos prejuízos à biodiversidade da bacia hidrográfica, mas não haviam pensado no detalhe da água. Posso dizer que todo mundo bobeou na questão da água, que ficou em segundo plano; eu mesmo só fui acordar para o problema há 60 dias.
Ele considera o problema tão complexo e urgente que resolveu convocar uma audiência pública para discutir o problema na tarde de hoje na Câmara de Vereadores de Londrina. Devem participar representantes do próprio Consemma, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Copel, universidades, entidades civis e das prefeituras dos municípios banhadas pelo Rio Tibagi.
O presidente do conselho afirma que a construção de hidrelétricas poderá mudar completamente as características do rio. O Tibagi é um rio típico de corredeira e, por isso, toda matéria orgânica jogada em seu leito vai se depurando ao longo do pecurso. Com o represamento, ele entrará em regime de águas paradas, perdendo toda essa capacidade, explica.
A não-decomposição das matérias orgânicas vai gerar um fenômeno que se chama eutroficação, que é o aparecimento de algas - algumas tóxicas, na área represada, segundo os estudos de impacto ambiental. Esse é um ponto que está preocupando muito o conselho. Nós vamos matar o Tibagi. Não somos contra construção de usinas, mas queremos a garantia de que não haverá comprometimento da qualidade da água, o que pode afetar a nós, nossos filhos e nossos netos.
O presidente do Consemma considera a situação extremamente grave porque, segundo ele, Londrina não teria outras alternativas para abastecimento. O Tibagi é a opção para Londrina e outros municípios. O ribeirão dos Apertados, por exemplo, é superpoluido. Será que vamos sair furando poços por ai?, pergunta, indignado.
Na audiência de hoje à tarde será elaborado um documento manifestando esta preocupação. Barros vai sugerir que a mobilização da sociedade para reverter o processo de construção de usinas ao longo do Rio Tibagi. Ele diz que o Paraná poderia ser poupado da construção de algumas hidrelétricas porque o estado não consome nem um terço de toda a energia elétrica que produz. Eles tinham que deixar o Rio Tibagi só para esse objetivo, o abastecimento de água, finaliza.


