A barragem da Hidrelétrica de Salto Caxias é a última do Rio Iguaçu, já pontilhado de usinas. A Copel pensa em realizar estudo para mais uma barragem, em Capanema, mas segundo disseram ontem seus diretores, a obra dificilmente será construída porque afetaria o ecossistema do Parque Nacional do Iguaçu.
A barragem de Caxias teve as obras iniciadas em janeiro de 95. Com 1.083 metros de comprimento e 67 metros de altura, ela acumulará 3,5 bilhões de metros cúbicos de água a partir de setembro, quando serão fechadas suas 14 comportas, para que até dezembro esteja formado o reservatório e seja acionada a primeira das quatro turbinas. Quando todas estiverem em operação, serão gerados 1.240 megawatts de energia, ao custo de R$ 1 bilhão.
Atualmente, cerca de 2,4 mil operários são empregados nas obras, que agora passam a ser concentradas na casa de força, onde ficarão as unidades geradoras. O reservatório terá 141 quilômetros quadrados, contando a calha do rio, e represará águas a 90 quilômetros de distância.
Ao longo do Rio Iguaçu, os reservatórios existentes somam 493 quilômetros quadrados, com as hidrelétricas de Foz do Areia e Segredo, da Copel, e Salto Santiago e Salto Osório, da Eletrosul. Segundo engenheiros da Copel, os inúmeros aproveitamentos do Iguaçu são justificados, porque ele oferece adequadas condições hidrológicas, com grande desnível em seu curso e calha profunda.
O primeiro aproveitamento foi na década de 60, com a pequena hidrelétrica de Salto Grande do Iguaçu, com 15 megawatts de potência, desativada em 1980 para dar lugar ao reservatório de Foz do Areia. Os grandes projetos começaram a ser implantados a partir de 70, o primeiro com Salto Osório, com pouco mais de mil megawatts. No início dos anos 80, a Eletrosul chegou a preparar a construção da usina de Capanema, no município do mesmo nome, dentro do Parque Nacional do Iguaçu.
O projeto foi abandonado porque houve forte oposição, inclusive internacional. O diretor de Engenharia e Construção da Copel, engenheiro Mário Bertoni, disse ontem que, por enquanto, Salto Caxias é mesmo o último aproveitamento no Rio Iguaçu. Segundo ele, a Copel não tem estudos mais aprofundados sobre Capanema, mas observou que se toda a moderna engenharia indicasse a possibilidade de uma ‘‘adequação tecnológica’’ , com sistema que evitasse alagamentos e túneis para formação do reservatório, por exemplo, ‘‘seria possível pensar na obra’’. (Paulo Pegoraro)

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