Hidrelétrica completa mil dias em obra
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Carlos BorbaDimensãoA barragem da usina vai absorver, até a conclusão da obra, 1,44 milhão de metros cúbicos de concreto As obras da hidrelétrica de Salto Caxias, da Copel, completaram ontem mil dias. A direção da companhia, no canteiro de obras, informou ontem que 60% das construções estão concluídas, o que garantirá a operação da primeira das quatro turbinas até dezembro do ano que vem. O custo total da usina está estimado em R$ 1 bilhão.
Os mil dias de obras, iniciadas em 1º de janeiro de 1995, coincidiram com uma reunião da Associação das Câmaras de Vereadores do Oeste do Paraná, no auditório existente no canteiro de obras. O superintendente de Empreendimentos Especiais da Copel, engenheiro Ademar Cury da Silva, disse que o projeto de Salto Caxias tem reflexos diretos em grande número de municípios devido aos alagamentos, transferência de população e programas de compensação econômica, social e ambiental empreendidos.
A paisagem do Rio Iguaçu está sendo transformada no ponto da barragem e nas regiões ribeirinhas, porque muitas famílias já estão se retirando. Até ontem, havia sido aplicado 1,02 milhão de metros cúbicos de concreto na barragem, de um total previsto de 1,44 milhão de metros cúbicos. Em um só dia já foram aplicados 3,8 mil metros cúbicos, marca recorde e o suficiente para construir um prédio de 22 andares.
As escavações já atingiram 4 milhões de metros cúbicos e já está no local a primeira grande peça dos conjuntos geradores, um pré-distribuidor da turbina, de 130 toneladas. Segundo Ademar Cury da Silva, nesta fase do projeto o número de trabalhadores também chega ao pico - cerca de três mil - o que transforma o canteiro de obras num formigueiro, com barrageiros provenientes de obras anteriores da Copel e de várias partes do País.
O reservatório de Caxias terá 141 quilômetros quadrados, atingindo nove municípios do Oeste e Sudoeste do Estado, nos quais são desenvolvidos 26 programas relacionados aos impactos sobre o meio ambiente e economia regional. O reassentamento envolve 604 famílias de pequenos agricultores e não-proprietários, que começam a ser instalados em dez áreas distintas adquiridas pela companhia, com total de 7,3 mil alqueires.
Em Cascavel, para onde será transferida grande parte das famílias e onde está a sede da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu, o presidente da entidade, José Camilo, reconhece que as terras adquiridas são da melhor qualidade. O que é justo, afinal, não pedimos para sair da região da barragem. Outras 334 famílias preferiram cartas de crédito da Copel, para comprar terras por conta própria, e 1,1 mil propriedades foram indenizadas em dinheiro.
Também são indenizados bares, mercearias e outros pequenos estabelecimentos ao longo da área de alagamento. Além disso, está sendo implantada uma estação ecológica para projetos regionais e estudada a ictiofauna. São ainda feitos salvamentos em sítios arqueológicos de civilizações com até oito mil anos. Segundo o engenheiro Walmor Eggert, gerente de Implementação de Salto Caxias, o projeto é o mais avançado do mundo, no setor ambiental.
A última turbina da usina de Salto Caxias deve entrar em operação em setembro de 1999, o que representará um aumento de 37% na capacidade instalada de geração da Copel, hoje de 3.347 MW. O acréscimo tem grande significado, pois o País está em risco de blecautes pelo crescimento do consumo de energia e poucas usinas em obras. O Rio Iguaçu, que atravessa o Estado de Leste a Oeste para se lançar no Rio Paraná, já está barrado em outros cinco pontos por usinas da Copel e da Eletrosul.
A Eletrosul tem potência instalada de 3.050 MW, e Itaipu, a maior de todas, 12.600 MW. Em todo o território paranaense, os reservatórios já existentes ocupam 2.276 quilômetros quadrados.


