HI fecha leitos de UTI neonatal
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sábado, 27 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O Hospital Infantil (HI) de Londrina está fechando cinco leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal devido à baixa remuneração oferecida aos médicos. A redução foi anunciada ontem e passa a valer a partir deste dia 1º de fevereiro.
O superintendente da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), Fahd Haddad, responsável pelo HI, declarou que a medida foi forçada pela perda de cinco dos 15 plantonistas pediátricos, que pediram demissão e partiram para a rede pública de saúde. Segundo Haddad, recentemente Estado e Município reajustaram os salários de todos os médicos de seus quadros, atraindo profissionais mal remunerados pelo serviço no hospital filantrópico.
''O Município criou um adicional de 30% para os plantonistas da rede. Nós que somos prestadores não temos reajuste da tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) há 10 anos'', comparou. De acordo com ele, um plantonista de rede pública ganha pelo menos R$ 500,00/dia, enquanto no Iscal o pagamento não passa da metade desse valor por plantão de 24 horas. ''Não tem como competir. Hoje um médico ganha melhor para fazer atendimento básico nos postos do que para cuidar de uma criança que nasceu com 800 gramas e corre alto risco'', desabafou.
Com a redução, o total de leitos de UTI neonatal passa de 10 para 5. Somando com as vagas pediátricas, o Hospital Infantil terá somente 10 leitos de UTI pelo SUS. Isso significa que a partir do mês que vem a cidade contará com 33 leitos públicos do gênero - o Hospital Universitário (HU) tem 12 e o Hospital Evangélico (HE), 11. É um número muito aquém do necessário, considerando que Londrina é referência nesse tipo de atendimento para uma população de 1,9 milhão de habitantes, segundo dados da prefeitura.
Foram justamente as constantes crises de superlotação que levaram o Estado a criar 7 novas vagas no HI em setembro de 2004. Entretanto, mesmo com os equipamentos necessários, o hospital vive em constante ameaça de fechamento da UTI. ''Em 1995, tivemos que desativar todo o setor durante um ano devido às baixas remunerações. Só reabrimos porque o Município passou a nos auxiliar'', destacou.
O repasse mensal da prefeitura para custeio de plantonistas do Iscal é de R$ 18 mil, o que dá uma média de R$ 150,00 para cada diária. Haddad disse que está pleiteando pelo menos o dobro do valor. ''Estamos negociando essa ajuda para evitar, mais uma vez, o fechamento total das UTIs infantis. Se a situação persistir, é possível que os outros plantonistas também deixem o hospital'', apelou.
A secretária municipal de Sa© úde, Josemari de Arruda Campos, contou que em novembro do ano passado o Município concedeu reajuste de R$ 10 mil no repasse mensal ao Evangélico, que passou a ser de R$ 19,8 mil, ou, R$ 320,00 por diária de plantonista. ''Por isso já sabíamos que a Santa Casa faria a mesma solicitação no decorrer de 2007. Só que até então o hospital não havia nos procurado. Antes de qualquer conversa, já houve um 'aviso-prévio' sobre o fechamento dos leitos'', argumentou.
Josemari lembrou que, só no segundo semestre de 2006, 20 médicos da rede municipal pediram demissão, o que justificou um reajuste de 35% para ''segurar'' os demais profissionais. ''Há uma reação em cascata no mercado de trabalho. Estamos em permanente movimento de reivindicações de todos os lados'', avaliou.
Ela adiantou que, a exemplo do HE, o Hospital Infantil também deverá conseguir um reajuste, mas o valor ainda não está definido. ''Vamos negociar. Mas a responsabilidade pelas UTIs tem que ser partilhada com o Estado, já que atendemos pacientes de todo o Paraná'', completou. Através da assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual da Saúde informou que a questão é administrativa e vem sendo acompanhada pelo Estado. De acordo com a Secretaria, a população não será atingida e se houver necessidade, a Central de Leitos dará atenção especial à Londrina.


