Hermanos de coragem
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Janaina Hoffmann<br> Reportagem Local 
Londrina - Há cinco meses, com R$ 2,6 mil no bolso e muita coragem, o casal de argentinos Victor Manuel AcuÀa, 30 anos, e Milva Estela Casquero, 25 anos, grávida de oito meses, decidiu vir para o Brasil, fugindo da crise econômica da Argentina que deixou vários 'hermanos' na miséria.
Depois de uma viagem de ônibus de 2.600 quilômetros, e que durou três dias, os dois chegaram a Londrina, cidade que conheceram pela Internet. ''Viemos para cá tentar a sorte'', disse AcuÀa.
A única pessoa que conheciam na cidade, também apenas via Internet, foi quem ofereceu a eles um lugar para ficar por alguns dias até que encontrassem uma moradia, o que aconteceu 20 dias mais tarde, depois de muito ''baterem perna.''
Segundo o casal, o dono do imóvel localizado na Rua Lúcia Helena Gonçalves Viana, no Jardim Pacaembu (zona norte) de Londrina, exigiu pagamento adiantado de três meses de aluguel, já que os dois não tinham fiador como garantia. Numa loja de móveis usados AcuÀa e Milva compraram um fogão, uma geladeira, cama e mesa com quatro cadeiras para mobília da casa. Nada mais, pois o dinheiro era pouco e até que começassem a trabalhar, precisavam economizar.
Há dois anos junto, o casal trabalhava com plotagem e serigrafia na cidade de Pigué (600 km de Buenos Aires). Muitos equipamentos eram importados e essa foi uma das causas que agravou a situação da família.''Como o valor do dólar subia, e muito, a todo tempo, ficou difícil continuar a comprar as máquinas. A exigência vinha dos próprios clientes que queriam tecnologias novas. Então, para nós ficou complicado'', conta AcuÀa.
Os dois de família de classe média alta, depois da crise na Argentina, como a maioria dos argentinos, ficaram quase que na miséria.''A situação estava crítica demais. Tinha dia que não tínhamos um centavo se quer no bolso'', lembra Milva.
Na tentativa de encontrarmelhores condições de vida e de trabalho, o casal decidiu vir para o Brasil. Mesmo sabendo da situação de desemprego que
o País enfrenta, os dois acreditaram que em Londrina, as oportunidades seriam melhores.
Assim que nasceu o filho Gabriel, hoje com quatro meses, o casal retirou o visto de permanência para ficar no Brasil. Foi quando então, decidiram alugar uma sala comercial e iniciar o negócio no ramo de plotagem e serigrafia.''Com esta máquina que trouxemos da Argentina decidimos abrir as portas e começar a trabalhar. Precisamos sustentar e garantir o futuro do nosso filho. Apesar da saudade da família e de tudo que deixamos para trás, temos que recomeçar nossa vida aqui no Brasil. Voltar para Argentina do jeito que tá, só para passar as férias'', disse o casal.


