Edna Mendes




ReconquistaQuase 100 pessoas já estão acampadas nos barracos montados em área ao lado da fazenda; Leoni Gonsalves (foto de cima) é a líder do grupo: ‘‘Estamos aguardando a chegada de pelo menos mais 500 pessoas’’Famílias de descendentes de escravos que viveram na Fazenda ‘‘Fundão’’ ou ‘‘Paiol da Telha’’, no distrito de Pedro Lustoza, em Pinhão (40 quilômetros ao sul de Guarapuava), estão ocupando a área. Elas reivindicam 3,6 mil alqueires e querem de volta as terras deixadas de herança aos seus antepassados. A fazenda de 1,2 mil alqueires pertence à Cooperativa Agrária Mista Entre Rios.
Cerca de 90 pessoas já estão acampadas em barracos. Elas aguardam a chegada de pelo menos mais 500 pessoas que estão sendo chamadas por anúncios em rádios e telefonemas. O grupo afirma que o total de descendentes herdeiros já passa de mil, que estariam espalhados pelo Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
A fazenda foi herdada em 1866, de Balbina Franscisca de Siqueira, por 13 escravos libertos. Em meados da década de 70, alguns descendentes desses escravos, que permaneceram na fazenda, adquiriram o direito de posse.
Cadeia sucessoraDepois, teriam vendido as terras à cooperativa e ao delegado que atuava na região naquela época, Oscar Pacheco dos Santos. A cooperativa tem documentos que comprovam a aquisição das terras. Ela comprou as posses de alguns descendentes e do delegado.
‘‘A cooperativa adquiriu legalmente as terras que estavam em poder de posseiros’’, garante o advogado da Agrária, Edson Sanches. ‘‘Em 1974, os descendentes dos escravos venderam as posses interrompendo a cadeia sucessora. A cooperativa fez tudo legalmente. Consultamos vários órgãos do Estado, Incra e a Polícia’’, disse.
Sanches disse que a cooperativa pagou a todos que tinham documentos que comprovavam serem posseiros das terras.’’ Teve gente que vendeu as terras à cooperativa e depois entrou na Justiça contra a Agrária. Essas pessoas que estão na fazenda não tem mais nenhum direito sobre as terras’’, afirmou.
‘‘A cooperativa já entrou na Justiça pedindo a reintegração de posse das terras’’, disse . O 16º Batalhão da Polícia Militar de Guarapuava está analisando a situação para que seja evitado o conflito. ‘‘Nós acreditamos que há pessoas ou políticos oportunistas por trás disso. Essas pessoas devem estar sendo orientadas por alguém’’, desconfia Sanches.

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