CIUDAD DEL ESTE - Herdeiros do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira estão cobrando na Justiça parte de um terreno de 9 hectares, situado a 200 metros da Ponte da Amizade e da torre da Marinha paraguaia. A área foi doada a JK pelo ex-ditador Alfredo Stroessner, em 27 de março de 1965, data de inauguração da ponte.
A ação dos herdeiros impediu a realização de um sonho do empresariado e dos mesiteros (camelôs) de Ciudad del Este: esvaziar as ruas e liberar o trânsito na frente das lojas. Pelo menos cinco vendedores que trabalham nas calçadas e tornam estreito o espaço de pedestres seriam transferidos para o shopping.
Projetado para aproximadamente 6,8 mil lojas, ele foi avaliado pela Aspen em US$ 60 milhões. Se fosse iniciado em 96, o shopping estaria concluído até o final deste ano. Em cada andar seriam instalados estabelecimentos de luxo, médios e estacionamento.
A Aspen atua nos mercados imobiliários de Curitiba e Maringá, e chegou ao Paraguai através de negociações políticas feitas diretamente com os poderes Executivo e Legislativo.
Apenas as fundações foram iniciadas. Não há data para a retomada do projeto. Advogados de Brasília, contratados por Márcia Kubistschek, vice-presidente da Embratur, justificaram a propriedade do terreno adjacente ao shopping.
O ex-prefeito de Ciudad del Este, Mário Abdo Benítez, informou à Justiça que um documento atestaria que a família de JK doou o terreno a uma instituição da caridade. No entanto, até agora, não foi possível identificar qual seria essa entidade.
‘‘É uma pena que a Aspen não tenha iniciado a construção, porque o comércio já contava com o shopping para reordenar a cidade’’, comentou o diretor do Instituto Pólo Iguassu e proprietário da Casa Prisma, Faisal Saleh.
O adiamento do shopping acarretou problemas à cidade. O recém-empossado prefeito, Juán Carlos Barreto (Partido Colorado), deverá juntar a documentação que libera a área e checar a situação do embargo judicial. Certamente, o ano de 1997 continuará sem modificações na área central, cujo trânsito e movimento de mesiteros, táxis e carregadores provoca grandes dissabores aos empresários.
Cerca de 90% das lojas paraguaias vendem para brasileiros. Em 1995, Ciudad del Este recebeu 4,5 milhões de compradores. O diretor do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Víctor Paez Coll, estima que esse número de consumidores tenha uma redução de 22%.
Embora o Cicap não disponha de um levantamento exato sobre o número de lojas e comerciantes locais, calcula-se que a cidade tenha 8 mil estabelecimentos. A economia informal - mesiteros, carregadores, ‘‘laranjas’’ - dá emprego a cerca de 20 mil pessoas, entre brasileiros e paraguaios.

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