Herdeiros de ex-escravos invadem área em Pinhão
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Cerize Gomes<br> Correspondente 
GUARAPUAVA - Um grupo de 27 pessoas de quatro famílias invadiu domingo uma área da Fazenda Fundão, no município de Pinhão (48 quilômetros ao Sul de Guarapuava), na localidade de Rondinha, a 25 quilômetros da cidade. A área invadida é de propriedade da Cooperativa Agrária de Entre Rios, uma das maiores do Estado. O Departamento Jurídico da cooperativa foi acionado ontem mesmo para deter a invasão.
Doze homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), da PM, estão na cancela que dá passagem para a reserva para evitar que novos invasores entrem na área e para garantir a segurança no local, explicou o major Robenson Máximo Fim, do 16º Batalhão da Polícia Militar de Guarapuava.
Os invasores se dizem herdeiros de ex-escravos e reivindicam a Fazenda Fundão como parte do espólio de Balbina Francisca Siqueira, que há 130 anos teria deixado 3,6 mil alqueires como herança para seus 11 escravos, que viviam com ela na invernada conhecida como Paiol da Telha ou Fazenda Capão Grande. Esses escravos ganharam a terra e a alforria.
Pesquisas mostram que seus descendentes teriam vivido na área por mais de um século, até o início da década de 70, praticando a agricultura de subsistência, quando teriam passado a sofrer a ação de grileiros.
Agrária A Cooperativa Agrária Entre Rios ganhou a causa na ação de usucapião da Fazenda Paiol da Telha, ajuizada em 1974, quando a Agrária adquiriu uma área de 1.600 alqueires, por escrituras de cessão de direitos hereditários dos 11 escravos herdeiros da fazenda.
Um dos diretores da Agrária, Eugenio Leonhardt, disse que as negocicações só foram feitas após estudos jurídicos, de forma legal, pacífica e de comum acordo com o Incra, o Exército e o Governo do Estado, conforme confirma a documentação da cooperativa. A Agrária tem legítimo direito sobre a área. Ocorre que pessoas inocentes estão sendo usadas pela Pastoral da Terra e outras entidades afins, acusou Leonhardt.


