O herdeiro do espólio de João Piaie, João Durval Piaie, está na expectativa de que haja uma solução amigável para o prédio onde está instalada a Polícia Federal, na rua Quintino Bocaiúva, área central de Londrina. Ele se reuniu ontem pela manhã com o vice-prefeito Alex Canziani (PTB), que lhe garantiu que a possibilidade de vir a ser assinado um decreto de utilidade pública diz respeito unicamente à área hoje ocupada pela PF - o térreo e a garagem, somando 1.600 metros quadrados.
No imóvel de quatro andares funcionou a empresa Brasifrio, pertencente ao avô de João Durval, até 1986. O prédio foi tomado pela União devido a dívidas e retomado pela família Piaie recentemente, após anos de demanda judicial. A Polícia Federal já teve que desocupar os 18 apartamentos que eram utilizados para moradia de agentes e tem prazo de pouco menos de 60 dias para deixar totalmente o prédio.
Hoje, em horário ainda a ser definido, João Durval irá se reunir com o prefeito Antônio Belinati (PDT) para tentar resolver a questão em definitivo. De acordo com ele, Belinati teria garantido a Canziani, por telefone, que não faria nada que viesse a prejudicar a família Piaie. ‘‘Preferiria vender o imóvel ou que a Prefeitura fizesse a desapropriação direta da parte térrea e da garagem’’, diz João Durval.
Ele relata que o anúncio do interesse da Prefeitura em decretar o prédio de utilidade pública acabou prejudicando bastante seus negócios. ‘‘Já vendi quatro dos 18 apartamentos e hoje (ontem) ia fechar negócios com mais dois interessados. Mas eles preferiram esperar para ver o que ia acontecer com o prédio.’’
João Durval comenta que o dinheiro da venda dos apartamentos será usado para pagamento de dívidas com a União - US$ 150 mil, referentes a execuções fiscais movidas contra a Brasifrio - e com o Banco do Brasil - US$ 720 mil, referentes a empréstimos feito pela Brasifrio. Segundo ele, a empresa de seu avô fez empréstimo de US$ 1 milhão, mas a família já entregou mais de US$ 7 milhões para o banco, devido a juros e correção monetária.
A Brasifrio foi eleita a melhor indústria de refrigeração da América Latina pela então revista Brava, nos anos de 77 e 78, informa João Durval, acrescentando que a empresa chegou a empregar cerca de mil pessoas no início dos anos 80 e esteve presente em nove capitais brasileiras. ‘‘A Brasifrio chegou a ter US$ 25 milhões em patrimônio e hoje estamos vivendo uma situação dessas.’’

mockup