Curitiba - O primeiro ano de vida de um bebê é inesquecível para os pais. E também para o meio ambiente. Nesse período, a criança utiliza mais de duas mil fraldas descartáveis. Depois de usada, e descartada, essa verdadeira montanha de fraldas vai consumir mais de 500 anos para se decompor.
As fraldas e absorventes íntimos representam de 5% a 15% (veja quadro) de todo o lixo encaminhado para o aterro sanitário da Caximba pelas cidades da Região Metropolitana de Curitiba.
''A fralda é um resíduo complicado porque, além de não ser biodegradável, já vem contaminada'', explica a química Patrícia Sottoriva, professora do Mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Prática e de custo acessível, a fralda descartável tomou o espaço que antes era ocupado pelas de pano. ''Para a mãe que trabalha, que deixa o filho na creche, a fralda descartável é muito mais prática'', avalia.
Segundo Patrícia, o ideal seria o uso da fralda de pano, uma alternativa cada vez menos atraente para as mães. ''O sistema de esgoto já está preparado para receber e tratar o resíduo orgânico e o pano pode ser reutilizado inúmeras vezes'', destaca.
Mas para o especialista em gestão de resíduos, Paulo Janissek, da Universidade Positivo, a solução não é tão simples assim. ''A fralda de pano é reutilizável, mas exige mais gasto de energia elétrica, de água, e o uso de produtos químicos na sua desinfecção também gerar danos ao ambiente'', destaca.
Fraldas biodegradáveis já são realidade em países como os Estados Unidos. Mas custam em torno de 20% a mais do que as tradicionais, conta o especialista. ''A biodiegradável é feita de matéria-prima mais próxima da matéria orgânica, o que torna a decomposição mais natural e rápida'', explica.
Janissek, no entanto, é cético em relação a adoção dessa nova tecnologia. ''Se as fraldas biodegradáveis vierem para o Brasil, certamente vão custar mais caro, e a cultura do consumidor brasileiro é de não pagar mais pelo benefício ambiental'', lamenta.
Descarte
Segundo Patrícia, as fraldas descartáveis podem ser destruídas em fornos de altíssima temperatura, mas essa tecnologia também não está disponível no Brasil. ''É um sistema caro e que não é compatível com a nossa realidade'', avalia.
Como não é orgânico, o produto não pode também ser encaminhado para compostagem - processo que transforma resíduos orgânicos em adubo. Mas ele também não é reciclável. Como resultado, esses materiais vão mesmo os aterros e lixões do país.
''Não há uma solução ideal. Nenhuma alternativa funciona sozinha. O que pode ser feito é combinar ações que reduzam o impacto do lixo'', aposta Janissek. Entre as possibilidades está o uso da fralda de pano em ocasiões convenientes para a família, como quando o bebê está em casa, e a adoção de versões biodiegradáveis, se possível.
Patrícia defende a realização de mais pesquisas sobre as consequências da utilização prolongada. ''Há indícios que ligam o uso da fralda descartável com a ocorrência de infecções que precisam ser investigados'', diz.

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