Hepatite reduz o número de doadores
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoSem estoqueSilvana Tomasi, diretora do Hemocentro do Hospital Regional de Cascavel: Limiar das necessidades A maior parte dos doadores de sangue que se apresenta nos serviços de coleta no Oeste e Sudoeste do Paraná é descartada. Eles são reprovados na bateria de exames realizada para verificar a qualidade do sangue. A principal causa da rejeição é o vírus da hepatite B que tem nestas regiões a maior incidência em todo o estado, sem que haja explicações definitivas para isso. A alta rejeição e o pequeno número de doadores foram ressaltados ontem em Cascavel, no Dia Internacional do Doador de Sangue, quando a população foi convocada a fazer doação.
O Hemocentro do Hospital Regional de Cascavel (HRC), que abastece também 17 hospitais da região Oeste, recebe sangue basicamente de parentes ou amigos de pessoas que precisam de transfusão, o que não permite a formação de estoque. Como estes doadores aparecem só em caso de emergência trabalhamos no limiar das necessidades, afirma a bioquímica Silvana Tomasi, diretora do Hemocentro.
Segundo Silvana Tomasi, a rejeição de doadores pode ocorrer por inúmeras causas. Mais da metade deles são descartados na bateria de exames e, destes, cerca de 40% apresentam a hepatite.
Silvana relata que em Francisco Beltrão, no Sudoeste, a rejeição por esta causa chega a 70%. O índice só é inferior ao de algumas regiões do Norte do Brasil.
Um levantamento do Hemocentro do HRC indicou que 28% dos candidatos à doação foram descartados logo ao informar alguma doença que contraíram. No exame de hepatite, o anti-H BC, que é feito em seguida, o descarte foi de 38,5%. Na soma, a rejeição chegou a 66%. É situação sem paralelo em outras regiões paranaenses, e não há informações conclusivas sobre o motivo, comenta Silvana Tomasi. Para ela, não tem consistência a crença popular de que a causa seria o hábito do chimarrão (com transmissão de saliva), comum no Oeste e Sudoeste.
Epidemiologistas consideram a possibilidade que, além de sangue e secreções (nas relações sexuais, por exemplo), a transmissão do vírus da hepatite ocorra também pelas más condições de saneamento básico, o que teoricamente explicaria o fato de no Norte do País haver regiões onde o vírus aparece em 90% dos exames.
Os órgãos de saúde, porém, admitem que falta de higiene, água tratada, instalações sanitárias e outros componentes do saneamento básico influem apenas nos casos de hepatite A e C, transmitida, por exemplo, por alimentos, água ou fezes.
Até há alguns anos a bateria de exames para a coleta de sangue era menos abrangente. Pesquisas como a anti-H BC começaram a ser exigidas só em 94. Os serviços públicos de saúde não fazem campanhas maciças de vacinação contra a hepatite, pela pouca disponibilidade da vacina. Em clínicas particulares a dose pode custar R$ 50,00.
As campanhas são apenas para crianças até 1 ano e contingentes sob risco direto, como médicos e enfermeiras. A hepatite B pode destruir o fígado e o tratamento raramente cura o paciente, servindo para melhorar sua qualidade de vida.


