A incidência de casos de hepatite C no Paraná vem crescendo, apesar dos números estar distantes de qualificar a doença como um problema de saúde pública. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, de 1996 para 1997 houve um aumento de 45% no número de casos registrados pelo governo. Este ano, apesar de as ocorrências ainda estarem em levantamento, a divisão de Doenças Infecciosas e Parasitárias, da secretaria, prevê crescimento semelhante.
Segundo a coordenadora da divisão, Márcia Sueli Gil Aldeucci, os registros da doença preocupam não pelo número de casos, mas por sua gravidade. As formas de contágios da hepatite C ainda não são totalmente conhecidas, e o tratamento está em fase de estudos. Em 1996, 57 se contagiaram com a doença; já no ano passado foram 87. No Brasil, a estimativa da Organização Mundial da Saúde é que 3 milhões de pessoas estão infectadas. No mundo, seriam 170 milhões, sendo que apenas 20% estariam diagnosticados.
‘‘A gravidade da doença é que a cura é longa e cara, os sintomas são imperceptíveis e existe grande possibilidade do doente contrair câncer no fígado’’, explica o hepatologista Marcial Pinheiro Ribeiro, da Fundação das Doenças de Fígado Koputoulas Ribeiro (Funef). Ribeiro diz que a doença foi descoberta em 1989, mas apenas em 1993 o governo estadual começou a realizar exames para detectação do vírus nas coletas de sangue. E foi apenas no ano passado que o Ministério de Saúde determinou a comunicação obrigatória da doença pelos bancos de sangue, hospitais e médicos. ‘‘Antes desta data, os médicos qualificavam a doença como hepatite não-A ou não-B, o que permite acreditar que existe um grande número de doentes que não sabe que estão com hepatite C’’.
Ribeiro informa que até hoje a ciência não descobriu sequer como é o vírus da hepatite C. ‘‘Se trabalha apenas com a identificação da cadeia molecular do vírus’’, diz. É em cima dessa cadeia que são realizados os exames de detectação do vírus. ‘‘Esses exames não apresentam 100% de precisão’’.
Ribeiro, que em 1989 já utilizava o exame anti-HVC, que detecta o vírus, conta que em 5% dos casos a forma de contágio é desconhecida. ‘‘Estou tratando uma família de Joinvile, em que todos os integrantes estão doentes. Agora preciso saber se todos têm o mesmo tipo do vírus, que tem 16 classificações’’. Para se tratar, o paciente terá de gastar de R$ 800,00 a R$ 2,5 mil por mês, durante o período mínimo de um ano. ‘‘Para saber se está curado, é preciso ainda mais três anos de acompanhamento médico’’, finaliza.

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