Hepatite contamina 13 vezes mais que HIV
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Terça-feira, 19 de maio, é o Dia Mundial da Hepatite, infecção provocada por um grupo de vírus que, ao comprometer em graus variados o funcionamento do fígado, pode levar o doente à morte. Atualmente são conhecidos cinco tipos de hepatites virais A, B, C, D e E. Destas, apenas duas podem ser prevenidas pela vacinação: as dos tipos A e B. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites B e C, consideradas as mais perigosas, atingem 520 milhões de pessoas no mundo, número 13 vezes maior que a epidemia de Aids.
Só no Brasil, cerca de quatro milhões de pessoas podem estar infectadas com o vírus da hepatite C e dois milhões com o vírus B. No entanto, mais de 95% ainda desconhecem que estão doentes e podem conviver com sérias complicações, tais como a insuficiência hepática, cirrose ou o câncer hepático.
Segundo o presidente da Organização Não Governamental (ONG) Grupo Otimismo, de São Paulo, Carlos Varaldo, a falta de informação sobre as hepatites e sobre a existência de tratamentos são o grande problema no Brasil. Por isso, a data servirá tanto para alertar sobre a importância da prevenção quanto para estimular a realização de exames que fazem o diagnóstico dos vírus.
O gastroenterologista Pedro Humberto Perin Leite explica que a maioria dos pacientes consegue eliminar naturalmente os vírus A e B. Já nos que desenvolvem a doença, existe um período inicial assintomático, que é variável, e logo após começam a surgir os sintomas, quando o paciente apresenta um quadro agudo: febre, mal-estar, dores no corpo, falta de apetite, icterícia (amarelão, sintoma mais típico da hepatite), afirma. Contudo, ressalta o médico, 5% dos portadores não eliminam o vírus da hepatite B, cronificando a doença, apresentando evolução para cirrose e câncer de fígado. Uma pessoa pode ser portadora crônica do vírus sem saber e, consequentemente, corre o risco de contaminar outros ao seu redor, salienta.
A vacinação é a forma mais segura de se prevenir. Ela está disponível na rede pública para pessoas até 19 anos e, na rede privada, para todas as idades. A vacina previne a infecção e suas complicações, como o câncer de fígado. O modo de transmissão da hepatite por vírus A é chamado fecal-oral, ou seja, ingestão de água e/ou alimentos contaminados. Já a transmissão do vírus tipo B ocorre pelo sangue contaminado e via sexual.
De acordo com Leite, a contaminação pelo vírus tipo C é a mais perigosa e silenciosa, visto que 80% dos pacientes não o eliminam, 50% não sabem como foram contaminados, e a resposta ao tratamento ainda é baixa. A doença é uma das principais causas das complicações hepáticas e transplantes de fígado. Os sintomas só aparecem 20 ou 30 anos após o contato com o vírus, quando o fígado já está em sua fase terminal. A pessoa emagrece, perde a força, apresenta vômito com sangue. São as complicações da cirrose, aponta o especialista.
As principais formas de transmissão são por meio de seringas e outros objetos compartilhados por usuários de drogas, objetos de salões de beleza, consultórios dentários, estúdios de tatuagem e piercings e procedimentos médicos não descartáveis ou não esterilizados de forma adequada, além de transfusões de sangue realizadas antes de 1993 no Brasil. Por isso é importante o paciente solicitar, durante check up médico, exames para detectar a presença dos vírus para as hepatites, recomenda o gastroenterologista.


