O Paraná enfrenta uma situação de calamidade quanto à incidência da hepatite do tipo B. A afirmação é do presidente da Fundação de Estudos de Doenças do Fígado, o médico hepatologista Marcial Ribeiro. Apesar de dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) demonstrarem que o número de casos de hepatite, independente do tipo, diminuiu nos últimos anos - caiu de 5.224, em 1994, para 3.325 no ano passado - Ribeiro alerta que o índice de contaminação da hepatite B na região Sudoeste do Paraná é igual ao registrado nas áreas mais contaminadas do mundo, como Moçambique, na África. Lá, entre 7% e 10% da população foram atingidos pela doença. ‘‘Em municípios como Francisco Beltrão e Pato Branco, praticamente não se encontra mais doadores de sangue’’, disse.
Segundo a diretora do Departamento de Doenças Imunopreviníveis da Sesa, Inês Vian, o número geral de casos de hepatite no Estado caiu desde 1994. Ela explica que apesar de os números mostrarem um aumento dos casos de hepatite do tipo B no mesmo período, a incidência desse tipo de infecção não cresceu. ‘‘O que havia era uma subnotificação’’, disse. Foram registrados 542 casos de hepatite B no Estado, em 1994, número que subiu para 821 em 1996 e que chegou a 1.114 no ano passado. ‘‘Os casos eram registrados como hepatite viral, mas não se pesquisava qual era o agente causador.’’ De 1994 até o ano passado, a Sesa registrou, em média, 4.135 casos de hepatite por ano, sendo 817 casos do tipo B. ‘‘Apesar de o diagnóstico estar mais preciso, a incidência da doença está praticamente igual porque não se fez muita coisa’’, disse Inês.
O presidente da Fundação de Doenças do Fígado contesta os dados da Sesa e diz que os números não correpondem à realidade. ‘‘Somente no ano passado, a Fundação atendeu um número de casos de hepatite B semelhante ao divulgado pela secretaria em todo o Estado.’’
Apenas 30% dos infectados pelo vírus da hepatite do tipo B, transmitida pelo sangue, relações sexuais e da mãe para o feto, apresentam sintomas. Cerca de 5% a 10% desses pacientes apresentam infecções crônicas. Desses, 20% podem morrer de cirrose ou câncer do fígado.
No Paraná, desde 1995, a vacinação contra a hepatite do tipo B inclui as crianças até 1 ano de idade, profissionais de saúde, policiais e outros que tenham contato com sangue e secreções corporais. Em regiões onde a situação é mais grave, como a Oeste, a vacina é aplicada até os 14 anos. Essa rotina foi adotada em todo o País apenas no segundo semestre do ano passado.Arquivo FolhaDesde 1995, vacina é aplicada em crianças até um ano de idadeAndrea Vendramini

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